quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Um prato cheio


Por Roseli Santos


Já tentei, e confesso que foi em vão, achar uma relação entre o ano que se inicia e os rituais a que somos, na maioria das vezes, obrigados a cumprir na chegada do novo ano. Admito que nunca pulei as sete ou treze ondas. Tentei comer algumas uvas, mas não faz sentido engolir algo que eu nunca apreciei. Também já comprei calcinha amarela, vermelha, branca e tudo o mais para ver se os orixás ou santos do ano davam uma forcinha, mas preciso reconhecer que isso não foi relevante nos resultados, positivos ou não. Todas as coisas boas ou ruins ocorreram independentemente da cor da calcinha ou do que quer que eu tenha feito para alterar o destino.

Se fosse assim, todos estariam salvos dos infortúnios, das tempestades, dos terremotos e das demais catástrofes naturais. Todos estariam ricos, bem alimentados, com a boca cheia de dentes e os bolsos cheios de dinheiro, acompanhados do par perfeito, da alma gêmea, do grande amor da sua vida, em um eterno cruzeiro pelos mares da vida. Mas ainda bem que tudo pode ser o contrário dos dogmas, dos paradigmas e do convencional, a qualquer momento, pulando ou não as sete ondas na passagem do ano, usando ou não aquela calcinha amarela.

Acredito que, melhor ainda, é ser surpreendido com um Ano Novo em pleno mês de maio ou agosto ou setembro, quando nem imaginávamos abrir uma espumante para festejar a vida. É claro que podemos ser surpreendidos, também, com o avesso, com a dor, com a perda, mas ainda assim seguirmos mancos e tortos para sermos abraçados logo adiante pelo amor, pelo carinho, pela compaixão e pela alegria.
Por isso, 2013 será tão bom e tão ruim quanto todos os outros anos da nossa vida. Estaremos sujeitos às intempéries, aos medos, às alegrias, ao riso, à paixão, à dor, ao bem, ao mal, ao vento, à chuva, ao sol, a tudo e a todos, como sempre foi, e ainda assim o saldo será positivo. Se chegamos até aqui, já valeu à pena, podem ter certeza.

Na dúvida, garanti minha cota de sorte para 2013 comendo um delicioso prato de lentilha, que faço, isso sim, com o maior prazer, todos os anos, porque adoro. E assim espero que seja o dito Ano Novo para todos... Um prato cheio de coisas boas e não de rituais vazios e sem sentido, que não enchem nem a barriga e nem o espírito de ninguém. Que possamos nos fartar daquilo que acreditamos sinceramente, do que somos e amamos verdadeiramente. O resto são fogos de artifício. Feliz Ano Novo, meus amigos!