Por Roseli Santos
Preciso admitir, ainda que não alimente grande expectativa em relação ao futuro da humanidade, que há pessoas e pessoas. E, por incrível que pareça, ainda me surpreendo quando encontro gente decente, digna, capaz de gestos nobres e gentis, em meio a situações caóticas ou inusitadas.
Chega a ser ridículo enaltecer o que deveria ser o óbvio, o normal, o básico, já que ser decente e gentil seria a regra e não a exceção como exalto aqui, sem citar nomes, mas agradecendo aos que comparecem sem ser intimados, aos que se revelam amigos sem nunca ter sido, aos que simplesmente cumprem com o seu dever de cidadão, ainda que anonimamente, e aos que se solidarizam por serem verdadeiramente amigos.
Gente decente e gentil, nobres em gestos e atitudes, pessoas dignas para serem citadas aqui, embora eu não precise fazer isso por elas saberem exatamente quem são e o que fazem, sem necessidade de aparecer.
Ainda assim, deixo aqui registrado o meu reconhecimento a esses cidadãos que tornam a humanidade melhor, que nos alentam quando menos esperamos, que estão ao lado quando precisamos, que nos escoram com sua generosidade. Sem eles, isso aqui seria o inferno, tenho absoluta certeza. A vida não teria sentido e nem haveria motivos para sairmos da cama.
Acordar é um ato de coragem para quem sabe o que fazer. Se não há afetos e projetos, parafraseando Lia Luft, fica muito mais difícil. Pior ainda, sem metas direcionadas ao bem estar do outro, aos desconhecidos que podemos socorrer sem planejamento estratégico, sem segundas e quintas intenções. Sem isso, a vida se resume ao seu próprio umbigo que, convenhamos, não interessa nem a você mesmo.
Aliás, a quem interessam seus problemas pessoais, sua vida particular, além de você mesmo. Eu não quero saber o que você come ao meio-dia, mas o que você pensa em relação ao seu semelhante. Sua vida pessoal não me diz nada, mas o que você faz pelas pessoas que não lhe pertencem me diz muito mais.
Comunidade, compaixão, comum, comungar, compartilhar, colaborar e confortar são palavras mágicas que podem salvar vidas. Não a sua, mas a dos que o cercam e que ainda podem fazer muito por você também, se um dia você sair da sua zona de conforto.
Preciso admitir que ainda há gente decente e digna, acreditem, mesmo que a humanidade pareça não ter mais jeito. E o pior é que não tem. Os que restam são a gota de esperança que escorre do frasco que já quebrou faz tempo.
Dionaea Muscipula
4 dias atrás
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