Por Roseli Santos
Um artigo escrito recentemente pelo amigo, fotógrafo e escritor, Jerri Rossato Lima, me chamou a atenção para a invisibilidade das pessoas que não estão conectadas 24 horas no Facebook. Perceberam como há a necessidade crescente e permanente de “curtir”, “comentar” e “postar” qualquer coisa para existir? Eu, que não sou hipócrita e admito também utilizar essa ferramenta para contatos pessoais e profissionais, parei para analisar mais atentamente o perfil dos ditos “amigos” , especialmente daqueles que passam a maior parte do tempo “dizendo coisas”, “qualquer coisa”, online, seja por laptops, celulares, computadores pessoais e sei lá mais o quê, simplesmente para não se sentirem invisíveis ou acreditarem que, assim, existem realmente, por ironia, num mundo virtual.
O Jornalista Marcello Vernet de Beltrand afirmou em artigo publicado em Zero Hora que “conexão não é comunicação. Conexão tem relação com velocidade, instantaneidade, multiplicidade. Já comunicação entre indivíduos pertence ao continente da arte, pois exige tempo, contato face a face, profundidade, escuta, atenção, relação, percepção. Enquanto a conexão remete ao universo infinito e virtual, a comunicação nos convida a um olhar e estar – aqui e agora – no vasto território do outro. A comunicação é arte lenta e pressupõe ouvir mais do que falar, processar informações, selecionar significados, atribuir valor, eleger caminhos. Conexão exige acesso, comunicação é processo. Portanto, caro leitor, se você tem mais de 150 conexões, abra os olhos. Você pode estar vencendo a batalha da conectividade, mas, definitivamente, a qualidade única e original do ser comunicativo que o habita empobrece... velozmente”.
Fica claro que o número de conexões não justifica sua existência, mas basta uns dias desconectado e pronto. Quem é você? Por onde anda? Morreu? Sumiu? Por favor, para ser quem se é não é preciso estar online. Basta um telefonema e, se você for amigo, verdadeiro, como os que eu tenho com o maior orgulho, nem precisa postar bobagens a cada segundo para mostrar-se vivo, presente.
Outro amigo meu contava, espantado, que se comunica diariamente com uma pessoa pelo Facebook, mas que ao se deparar pessoalmente com a amiga virtual, dia desses, limitaram-se a um “oi tudo bem?” e cada um foi para o seu lado, sem nada a dizer. Esquisito, não? Intimidades online viram nada quando a visibilidade é real.
Confesso que tem sido divertido e curioso fazer esta análise da invisibilidade/visibilidade em um suporte virtual. Basta postar algo e todos te reconhecem novamente. Esqueça ou se omita de dizer algo e... surpresa...você não existe mais. Desapareceu. O mais interessante é que há pessoas que forjam ser formadoras de opinião, comentando até a pedra que surje no meio do caminho, analisam seus umbigos e o dos vizinhos, observam o mundo baseados no que os outros fazem e não no que realmente acreditam e pensam.
Mas a quem interessa ouvi-los? Excetuam-se aqui, obviamente, os que utilizam essa ferramenta para opinar com propriedade sobre suas áreas de atuação ou envolvimento, compartilhando conhecimento e informação, cultura e diversão, entretenimento saudável, sabedoria para o mundo. Pessoas deste nível nunca serão invisíveis, mesmo que deixem de postar algo no Facebook, no Twitter ou seja lá o que for. Essas sim, são formadoras de opinião e somam na vida real ou virtual.
Portando, queridos amigos, seja do Facebook ou da vida real, não se importem tanto com a visibilidade online, forjada em bases muito frágeis. Comuniquem-se verdadeiramente com seus amigos reais, porque conexão é outra coisa. Ajuda, mas sua instantaneidade pode durar apenas alguns meses, talvez alguns dias, horas, minutos, segundos. Uma amizade real, e essa é daquelas que se conta nos dedos (não passam de cinco ou seis, podem acreditar nisso),nos acompanhará até o fim da vida. E essa, sim, um dia terminará de verdade, minha gente, ainda que nosso perfil permaneça online e já nem estejamos mais aqui, invisíveis, para sempre!
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Controversa questão essa, que nos diga Pièrre Levy! É complicado pensar o mundo sem o "vício" das redes sociais. Mas é perigoso pensá-lo só através delas!Parabéns, ótimo texto!
ResponderExcluirDisse tudo, Rose. O que importa é termos consciência do que é verdadeiro e daquilo que nos alimenta apenas por instantes. Aquele abraço, guria.
ResponderExcluirÉ complicado pensar o mundo, de qualquer maneira. Mesmo assim, que bom podermos discutí-lo e avaliar o que importa a cada um, individualmente, nas redes sociais ou fora delas. Valeu, amigos! Bjão
ResponderExcluirPô, se pensar a vida já é difícil, imagina pensar através de uma rede virtual, onde pessoas sem qualquer preparo despejam suas ideias e nós simplesmente lemos e "curtimos", sem sequer saber direito no essas pessoas estavam pensando de verdade, já que não existe discussão, olhares, gestos, gritos ou risadas; não há sentimento real, só virtual, codificado por dois dígitos e longe de tudo.
ResponderExcluirÉ muito bom te ter como amiga real, Rose! Ótima reflexão a tua, como sempre.
Beijo, beijo!
Quantos amigos tu tens em redes sociais? Considero banalizado o substantivo (ou adjetivo) amigo. Começa por aí. Nada subtitui o olho no olho! Entretanto, fazer o bom uso dessa ferramenta, também é importante, já que não é mais possível negá-la. Gosto muito do que escreves e espero que quando nos encontrarmos, possamos não ficar apenas no "oi tudo bem?". Abraço,Vera Mosmann. PS: não consigo enviar um bilhetinho sem assinar.
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