Por Roseli Santos
“As coisas estão melhorando”, diz um senhor de 72 anos. A frase, cheia de otimismo, poderia ser dita por qualquer pessoa, em qualquer lugar onde as coisas estivessem melhorando, mas foi proferida por este senhor em um abrigo improvisado no Japão, poucos dias após o devastador terremoto que lhe tirou o teto e, quem sabe, familiares e amigos.
Ainda assim, ao ser entrevistado, diante de toda a tragédia, de toda a devastação, de todo o desespero, ele acredita que agora as coisas estão melhorando, e sorri. Lição extrema de paciência, compaixão e de esperança desse povo capaz de ver luz e sorrir onde não há mais quase nada. Disciplina, respeito e alegria pela vida parecem emergir de cada cidadão japonês, mesmo que a realidade apavore, assuste e possa ficar pior.
Ainda assim, ele sorri e acredita que as coisas estão melhorando ou irão melhorar, num exercício de domínio e de reconhecimento da impermanência, porque é certo que, se tudo piora, um dia também há de melhorar. Difícil é aquietar o pensamento diante do caos, da destruição e da morte. Mais difícil ainda manter a ordem, a calma, a tranquilidade diante da carestia de água, de comida, de combustível e, principalmente, frente ao medo e iminência de um desastre nuclear.
Mas não há desespero naquele rosto de 72 anos que sorri. Resignação, resiliência, que nome se dá à capacidade de seguir, quando tudo para; de compreender, quando o medo cega; de acreditar, quando tudo desaba? E em meio aos escombros, choram seus mortos, recolhem lembranças, vivendo a vida possível, a vida que se apresenta, porque tudo pode melhorar.
Filas, fuga, fogo, pavor, destroços e, inacreditavelmente, a ordem supera o caos; a disciplina ensina; a humildade sustenta; e o sorriso ampara, acolhe e aceita mais um dia, porque tudo está melhorando.
Situação inimaginável por aqui. Mesmo sem terremotos, o Brasil estremece com a falta de respeito entre seus próprios cidadãos. Basta uma confusão qualquer e já há os espertinhos querendo se aproveitar ou levar alguma vantagem, certo? Certíssimo. Enquanto o Japão se reergue com as lições da própria natureza e sorri diante da possibilidade de dias melhores, aqui ainda há muito o que aprender e, quem sabe, melhorar, apesar da dita malandragem que espreita à espera do momento ideal para se dar bem.
Dionaea Muscipula
4 dias atrás
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Rose, amiga querida, que belo e reflexivo texto. Palavras em sintaxe perfeita para nos fazer pensar sobre as lições que ainda temos de aprender.
ResponderExcluirBjão.
Luciano, querido! Tuas palavras são incentivo e motivação. Bom acompanhar-te também em contos que me emocionam muito. Passei por lá e deixei meu recado, amigo! Bjão
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