quinta-feira, 3 de março de 2011

Nem aí

Por Roseli Santos

Por incrível que pareça para alguns (especialmente os do time que sempre torce contra), cada vez que recebo a notícia de que alguma entidade, órgão ou estabelecimento vai fechar em Taquara “ainda” me dá aquele aperto, aquela sensação de impotência diante do fato irreversível. Digo “ainda” porque diante de tantas deserções e de locais que deixaram de funcionar no município nos últimos anos, há quem nem alimente mais essa sensação, uma vez que, para muitos moradores, isso parece não fazer a menor diferença.


Acontece que para mim faz muita diferença ver a cidade desaparecendo, literalmente, com o sumiço de quase tudo o que é representativo e importante para a comunidade. Taquara já sediou vários órgãos representativos estaduais e federais, já teve grandes redes de lojas, já ofereceu entretenimento e lazer diversificado para todos os gostos durante todos os dias da semana, especialmente aos sábados, entre outras inúmeras atividades que simplesmente deixaram de existir. A lista do que o município perdeu nos últimos anos é imensa, em comparação com o que conquistou e agregou para incrementar vários setores. Sei que há pessoas empenhadas em tentar reverter e inovar em algumas coisas, mas o passado não volta e o futuro me parece obscuro por aqui, enquanto o presente fica estagnado.



Esta semana, o anúncio do fechamento da creche Apromin e das dificuldades financeiras enfrentadas também pelo Lar de Padilha me deixaram sem palavras, agora transformadas por mim em artigo para lamentar, desta vez, o descaso com crianças e jovens que correm o risco de perderem o maior amparo que poderiam ter, que é a expectativa de crescerem com esperança de construir um futuro e, quem sabe, transformar e desenvolver a cidade onde moram e que os sustenta através destas entidades assistenciais.



Ainda não sei os desdobramentos desse assunto, embora a administração municipal e outros cidadãos dedicados à causa comunitária tentem impedir que isso aconteça. Mesmo assim, para quem vive em Taquara, ecoa o sentimento de fracasso, de impotência, de descaso para com as nossas coisas e para com a nossa gente. Com raríssimas exceções, testemunhei por aqui um mutirão de protesto, uma mobilização pelo bem comum, uma passeata de revolta contra qualquer coisa. Nem quando o hospital fechou por aproximadamente dois anos, nem quando os empregos foram desaparecendo, as empresas fechando, os órgãos públicos sendo deslocados para outras cidades, etc, etc,etc.


Percebo, isso sim, movimentos isolados e individualistas quando o assunto é de interesse pessoal e afeta diretamente apenas o cidadão ou a classe envolvida. De resto, grandes mobilizações e empenho coletivo, só no carnaval, em shows de artistas famosos que aportam por aqui ou em dia de decisão nos estádios de futebol, sem contar os que nem para isso se deslocam, bastando-lhes uma poltrona diante da TV para que o mundo se apresente com as barbaridades do que acontece por aí, com os outros, é claro.