quinta-feira, 22 de julho de 2010

Rent a friend


Por Roseli Santos



Ao que parece, as mídias sociais e as redes de relacionamento pela Internet não estão conseguindo suprir a eterna carência por companhia que existe no ser humano. Ainda que milhões de pessoas passem a maior parte do dia online e que, aparentemente, estejam “bem acompanhadas” de amigos, namorados e maridos virtuais, há sempre uma lacuna, um vazio a ser preenchido em tempo real.


Uma notícia me chamou a atenção esta semana, anunciando um site para aluguel de amigos. Isso mesmo. Basta acessar e escolher o perfil da companhia que você precisa. Pode ser um amigo para ver um filme e ter com quem comentar, alguém para ir à uma festa ou a um jantar, enfim. Amigos de todos os perfis, disponíveis a hora que você quiser. E não se trata de serviço de “garotos e garotas de programa”. São pessoas que querem amigos para se relacionar ou apenas para acompanhá-las em alguma ocasião especial.


“Rent a friend” e espante a solidão. Deprimente isso, ao menos para quem, como eu, está acostumada a compartilhar amizades verdadeiras cultivadas ao longo de muitos anos. E isso leva tempo, exige carinho, dedicação e atenção. Poucos te acompanharão até o fim da vida. Amigos fieis se contam nos dedos e são um presente. Há conhecidos que surgem e desaparecem, assim como vieram, sem construirem conosco uma trajetória de vida. Esses são passageiros, mas os amigos de verdade estarão conosco sempre, em qualquer situação.


Alugar um amigo significa admitir que não os temos por perto, que não construímos relacionamentos sólidos. É admitir a solidão, ainda que conectados por 24 horas, adicionando “um milhão” de amigos virtuais em todas as mídias sociais do mundo. Alugar um amigo é constatar que estamos em completa solidão e que nem a nossa própria companhia nos sustenta.


Ao mesmo tempo, colocar-se como produto de aluguel é vagar por universos totalmente desconhecidos, sem vínculos, sem compromisso. Ainda que um dia isso possa resultar em amizades verdadeiras (quem sabe?) levará tempo, muito tempo para se consolidar, realmente.


Não se aluga ou se compra o que se constrói apenas com amor, com afinidade, com proximidade física e dedicação. Os amigos a gente reconhece de longe como parte da nossa história. Vida longa aos meus melhores e grandes amigos, sempre presentes, mesmo que a distancia. Sem esquecer, é claro, de manter a porta aberta para novas amizades que podem surgir a qualquer momento, oportunizando a todos nós compartilhar um dos únicos sentimentos que não poderemos terceirizar pelo resto de nossos dias.