sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

É Carnaval


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Por Roseli Santos

A multidão aumenta a cada passo em direção às arquibancadas que, rapidamente, começam a lotar. Há uma alegria na fisionomia de todos os membros da comunidade ali presentes, responsáveis pelo espetáculo que encantará milhões de pessoas neste carnaval.


O ensaio técnico da Beija Flor me dá uma prévia ao vivo do que vai rolar no Sambódromo nestes próximos dias. Nem o calor de mais de 30 graus após às 21 horas me afasta do meio da torcida da escola que, agora, aguarda para ver se está tudo certo, cronometrado, cadenciado, ajustado para evitar possíveis falhas após um ano inteiro de trabalho.


Mais e mais gente chegando, o espaço fica sufocante. Água, cerveja, refrigerante, mais água, holofotes incandescentes, arquibancadas e camarotes lotados, samba enredo na ponta da língua e lá vem ela. A Beija Flor entra para o ensaio técnico com a competência que marca o desfile oficial, embora sem o colorido das fantasias e dos carros alegóricos, guardados a sete chaves nos pavilhões para explodir na avenida apenas no Carnaval.


Ainda assim, a emoção transborda ao meu lado entre gritos e lágrimas dos que amam não apenas a escola, mas tudo o que ela representa para essa comunidade. O azul e o branco tomam conta da Marquês de Sapucaí e me deixo invadir pelo clima, pelo som, pelo inevitável cheiro de suor e pela empolgação que me cerca. As alas avançam empurradas pelo som da bateria que desponta contagiante, intensa, vibrante.


É o coração da escola pulsando dentro da gente. Emoção tão forte, capaz de nos transportar para uma outra dimensão. Me vejo ali, literalmente prensada no meio de centenas de pessoas, totalmente hipnotizada pela bateria da Beija Flor. Indescritível sensação ao olhar cada integrante imerso, dando tudo de si para que, no dia do desfile, a evolução transcorra sem problema. Um universo de emoções simultâneas que afloram até para quem não curte Carnaval, como eu. Um mundo que só pode ser descoberto “in loco”, longe do conforto do sofá na sala, onde as imagens da TV nos vendem fragmentos editados do maior acontecimento da terra.


Sempre achei esse termo exagerado, mas me rendo. O Carnaval do Rio de Janeiro é um dos maiores acontecimentos do mundo, sim! Minha vontade era de ficar por ali mais uma semana e conferir o desfile oficial, o que infelizmente não foi possível desta vez. Mesmo assim, saí transformada, quebrei preconceitos e paradigmas e trouxe um excesso na bagagem de sorrisos contagiantes, beleza e disciplina, organização e trabalho, além do som da bateria que até agora insiste em retumbar no meu peito.


Bom Carnaval a todos!