quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Para ser sincero

Por Roseli Santos

Sinceridade incomoda muita gente. Ser o que se é tem um preço e, infelizmente, nem sempre podemos deixar transparecer a todos quem realmente somos, na essência. Acho que o preço do fingimento e da hipocrisia é bem maior. Usar máscaras e “fazer de conta” dá náusea, ainda que, em algumas situações, isso seja inevitável. Triste constatação para quem, como eu, não consegue disfarçar quando gosta ou não gosta de alguma coisa ou de alguém. O sentimento de amor ou ódio fica ali, estampado no rosto, nos gestos, no corpo, em tudo.


Viver em sociedade requer jogo de cintura e muita paciência para seguir sendo o que se é, sem deixar de ser, se é que me faço entender. O pleno exercício da liberdade de expressão deveria ser praticado constantemente para aprendermos, também, a ouvir o que nos desagrada, mesmo discordando totalmente do que está sendo exposto. O outro nunca será o espelho de nós mesmos, portanto, acostume-se a conviver com as pessoas e suas diferenças. Enquanto vivermos neste planeta amontoado de gente, será assim. E sempre poderemos aprender um pouco mais sobre nós mesmos observando o que está acontecendo logo ali, com aquele grupo de pessoas que nunca vimos na vida.


Talvez as coisas pudessem ser mais amenas se cada um soubesse respeitar o seu vizinho, o seu colega de trabalho, o seu subordinado, os animais, o meio ambiente e tudo o mais que não esteja vinculado à sua própria vida, normalmente desprezível e insignificante para a maioria da humanidade. Sim, porque o que eu penso, acredito ou pratico como verdade não faz qualquer sentido para muita gente. Muito menos o que eu escrevo ou digo ou faço. E ainda tem gente que se acha Deus ou parente próximo dele. Sinceramente...!!!


Por isso, que tal começar 2010 exercitando a sinceridade consigo mesmo, com seus sentimentos, fiel àquilo que realmente acredita? Não há garantias de que isso funcione com todas as pessoas que o rodeiam, mas há grandes possibilidades de você conquistar respeito por ser quem é, disso eu tenho certeza. Obviamente, os incomodados torcerão o nariz para suas respostas objetivas, falarão mal do seu jeito tão ”sincero” de dizer as coisas, se intrigarão com a cara que você faz quando gosta ou não gosta desses seres que o cercam. Não confunda tudo isso com arrogância e falta de educação, o que às vezes é bem comum em gente que tenta aparentar o que não é com hipocrisia e cinismo, fingindo-se de “ser superior”.


Sinceridade em atos e palavras significa não esquecer quem você é. Mesmo que as pessoas te obriguem a isso temporariamente, não “se abandone” nem “se perca” de você mesmo. Pague o preço por ser quem é, mas perder a identidade em nome do puxa-saquismo, da bajulação, em troca de favores ou interesses escusos tem um preço alto demais. A liberdade é uma conquista de quem se atreve a se olhar de frente e a gostar do que vê, sem medo de cruzar com as diferenças.