quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aos amigos




"Já percebi que estar com aqueles de quem eu gosto é quanto basta”. (Walt Whitman)



E vocês todos, aqueles que eu posso realmente chamar de meus amigos (e eu posso contá-los e reconhecê-los um a um) me bastam sempre, em qualquer situação. Desse jeito mesmo, como sou, como somos, sem tirar nem por. Sóbrios, bêbados, doidos, santos, engraçados, chatos, descolados, caretas, crentes, céticos, retos, tortos, casados, solteiros, alegres, tristes, certos ou errados. Somos assim e, se assim nos escolhemos, se assim nos queremos, assim nos respeitaremos e nos bastaremos para sempre, como amigos.

Retornaremos com o Sarau a partir de março, sempre na última quinta-feira de cada mês, em Taquara. Até lá!

Feliz Natal e um Ano Novo repleto da companhia de vocês, queridos amigos!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sarau dia 16 de dezembro



A última edição de 2010 do Sarau com Café acontecerá nesta quinta-feira, dia 16 de dezembro, no espaço junto à Cafeteria Sabor Café e Livraria Nova Letra, a partir das 19h30min, em Taquara. O encontro reunirá os organizadores do evento, Roseli Santos, Ilana Lehn, Anna Amélia Fleck e os músicos Chico Paz e Adolfo Silva, além de convidados, para encerrar o ano em clima de confraternização.

Também estão sendo esperados para este momento festivo todos os apoiadores culturais do sarau que colaboram com o evento nestes sete anos de atividades, e a comunidade que prestigia o evento sempre na última quinta-feira de cada mês. “Antecipamos a edição de dezembro em razão das festividades de final de ano. Queremos que todos os envolvidos em promover e apoiar os novos talentos na arte, na música e na literatura da região estejam presentes para o sarau de encerramento do ano”, afirma Roseli Santos.

Para os organizadores, 2010 foi um ano em que o sarau trouxe grandes atrações para a comunidade regional, em diferentes áreas, além de levar leitura e música para várias cidades do Estado, incluindo a Feira do Livro de Porto Alegre. Em 2011, a partir de março, a proposta é seguir investindo em encontros mensais com convidados especiais, e promover a cultura regional também em escolas, feiras e demais eventos literários do Rio Grande do Sul, de maneira itinerante, interagindo com outras propostas e projetos culturais, como já vem ocorrendo nos últimos anos.

O sarau tem apoio cultural de Cafeteria Sabor Café, Casa das Lãs, Cirurgiã Dentista Stefani Lanius Adam, Clínica de Ortopedia João Guilherme Hackmann, Faccat, Invento Propaganda, Estúdio Pro Produções, Livraria Nova Letra, TCA Informática e Prefeitura de Taquara. A entrada é gratuita.









quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Casamento


Por Roseli Santos

Os apelos natalinos e de final de ano não me comovem, embora seja inevitável se deparar com vários (e alguns tediosos) compromissos dessa época e com uma infinidade de mensagens “forçadas”, subliminares ou não, de união, paz, amor, fraternidade, família unida, casa cheia, mesa farta, abraços, sorrisos, etc, etc, etc. Em resumo, felicidade obrigatória ou nada feito! Se não se enquadrar no perfil do pinheirinho com luzinhas, tá fora.

Sinceramente, meu conceito de felicidade pode incluir um pouco disso tudo em momentos distintos (com exceção do pinheirinho e daquelas musiquinhas de Natal), mas não apenas no final do ano. Acredito que doses homeopáticas ao longo de todos os dias sejam mais promissoras do que a compra de uma “Noite Feliz”, encomendada a qualquer preço, que a maioria nem pode pagar.

Lamento informar, pessoal. Papai Noel não existe e felicidade não se compra em supermercado e nem por emenda constitucional. Portanto, trate de ser feliz consigo mesmo, em atitudes e gestos, e esqueça o resto. Se em todos dias do ano houver um momento só seu, de autêntica felicidade ou satisfação, aí sim já terá valido a pena.

Por incrível que pareça, reforço esse pensamento depois de ler uma notícia curiosa sobre uma mulher que resolveu casar consigo mesma. E de véu e grinalda, com direito a festa e tudo. É sério! Nada mais sugestivo em tempos tão desesperadores. Casar consigo mesmo é uma linda metáfora da vida. A maneira como conduzimos nossa caminhada só depende de nós mesmos, sozinhos, sem depositar no outro qualquer expectativa ou obrigação de ser feliz.

Conviver bem consigo mesmo, antes de apostar em qualquer outro relacionamento, seja com marido, namorado, mãe, irmãos ou filhos, torna-se, na verdade, o único casamento viável. Talvez a única saída para uma possível união com o outro, seja ele quem for. Felizes ou não, a vida será o que fizermos dela, no casamento que tivermos conosco, comunhão do que se é realmente com o que temos de melhor e pior.

Nada de felicidade obrigatória, nem luzinhas piscantes, muito menos sorrisos amarelos. A vida é para ser brindada todos os dias, como ela se apresenta, com todas as suas alegrias e mazelas, casamento eterno com o que somos, indissolúvel até a morte. Mesmo sem a comoção que toma conta da maioria nesta época do ano, desejo a todos que encontrem em si mesmos o seu par ideal para seguirem plenos em direção ao outro.

E que as mensagens de paz, amor, união e fraternidade possam estar presentes em todos os momentos, gestos e atitudes do ano, e não apenas nos dias que antecedem o Natal. Esqueçam as luzinhas e brilhem por si próprios. Feliz Natal e um ano novo cheio de coisas boas a todos!


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Momento especial



O melhor de tudo isso é saber que há sempre novos caminhos, portas que se abrem, amizades que se constroem, momentos que não se repetem e uma infinidade de possibilidades ainda a serem exploradas. E só pela caminhada já terá valido a pena todo o esforço e toda a história construída a cada sarau.


O Sarau com Café foi atração na tarde de domingo, 14 de novembro, no Território das Escolas, junto ao Cais do Porto, na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre. O grupo, formado pela jornalista Roseli Santos, pela psicóloga Anna Amélia Fleck, pela estudante Ilana Lehn e pelos músicos Chico Paz e Adolfo Silva, contou com a participação especial do poeta Dilan Camargo, que lançou recentemente o livro Poeplano (Editora Projeto) e leu algumas de suas poesias. O encontro também teve uma intervenção da escritora Leia Cassol, que cantou uma música adaptada de um poema de Mario Quintana.

Os textos do sarau foram intercalados com interpretações musicais de Chico Paz e Adolfo Silva. Os integrantes do grupo leram textos de Eduardo Galeano, Millôr Fernandes, Martha Medeiros, Sérgio Capparelli e Dilan Camargo, entre outros autores.

“Foi um momento muito especial na companhia do escritor Dilan Camargo, de amigos e do público (crianças, adolescentes e adultos), que nos prestigiaram na Feira do Livro de Porto Alegre. Com certeza, conseguimos deixar uma mensagem muito positiva a todos, incentivando a leitura e a música, com descontração e alegria”, afirma a jornalista Roseli Santos, lembrando da interação que o sarau proporciona e que acrescenta cada vez mais experiência e novos relacionamentos ao grupo taquarense.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Feira, livros e sarau



O Sarau com Café de Taquara estará presente na Feira do Livro de Porto Alegre neste domingo, dia 14 de novembro, às 17 horas, no espaço do Território das Escolas, junto ao Cais do Porto. O encontro terá a participação do escritor Dilan Camargo, que está lançando o livro Poeplano.
O grupo do sarau, integrado pela jornalista Roseli Santos, pela psicóloga Anna Amélia Fleck, pela estudante Ilana Lehn e pelos músicos Chico Paz e Adolfo Silva, participa pela primeira vez da Feira do Livro de Porto Alegre, embora já tenha realizado saraus em outros bares da capital e em várias feiras do livro e escolas da região.

Há sete anos, o Sarau com Café é referência cultural na região, com encontros que ocorrem sempre na última quinta-feira de cada mês no espaço junto à Cafeteria Sabor Café e Livraria Nova Letra em Taquara. “Para nós, é uma oportunidade gratificante poder compartilhar textos, música e bate-papo em um espaço importantíssimo da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, especialmente, dedicado à área infanto-juvenil. Despertar o gosto pelos livros nesses pequenos leitores é formar cidadãos mais críticos e conscientes de seu papel social”, destaca a jornalista Roseli Santos.

TATUAGEM - Já a próxima edição do Sarau com Café em Taquara acontecerá dia 25 de novembro, às 19h30min, tendo como tema “Tatuagem” e participação especial do Coro das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat). O apoio cultural é de Cafeteria Sabor Café, Casa das Lãs, Cirurgiã Dentista Stefani Lanius Adam, Clínica de Ortopedia João Guilherme Hackmann, Faccat, Invento Propaganda, Estúdio Pro Produções, Livraria Nova Letra, TCA Informática e Prefeitura de Taquara. A entrada é gratuita.






sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Mais um

Por Roseli Santos


Um mais um é sempre mais do que dois, em se tratando de ações comunitárias, uma vez que a soma de algo inevitavelmente resulta além daquilo que se apresenta, em um primeiro momento. Basta observar uma orquestra tocando, uma peça de teatro, o show de uma banda de rock ou um coral cantando para descobrirmos infinitas possibilidades de superar diferenças, de construção coletiva, de gente em desenvolvimento constante.

E não é preciso muito para que as coisas aconteçam. Misture algumas doses de boa vontade, pitadas de colaboração e uma porção de pessoas dispostas a fazer e...pronto. Eis a receita para o sucesso de qualquer iniciativa. Simples assim, desde que se tenha um ideal realmente comunitário, capaz de contagiar e de transformar.

Na inércia e na ignorância o processo de mudança não ocorre. Fica estagnado, em todos os sentidos. Dividindo esforços e competindo, cada um por si, também não se constrói nada. Somando, nos tornamos múltiplos, multiplicadores, plurais, capazes e íntegros. Bom lembrar que nem todos os fins justificam os meios e que é importante ignorar muita gente mal intencionada, interesseira e oportunista que cruzará o caminho nesse processo.

Quando fragilizados, egoisticamente isolados do contexto social ao qual estamos inevitavelmente atrelados, nos apegamos à crítica destrutiva, tentativa inútil de manutenção do poder, do espaço nunca conquistado, da vida desperdiçada contra e não a favor.

Para somar são necessários indivíduos comprometidos com o seu semelhante, com a sua aldeia, com tudo o que é de todos. Em comum, precisam ter perfil de agentes reais de transformação, aptos a colaborar, a erguer pontes e não muralhas. O resto é teoria e conversa para boi dormir. Quem quer faz, quem não sabe, inventa moda e culpados, dividindo para subtrair.

Melhor apostarmos nos cidadãos dispostos, bem-humorados, alegres, que fazem a diferença e arregaçam as mangas. Melhor ainda contarmos com quem nos surpreende sempre com mais do que o esperado, com os que somam, somam e, no final, encontram resultados triplicados, além do imaginado. Exemplos? Olhe para o lado e terá vários, positiva e negativamente. A propósito, se for para subtrair ou dividir, esqueça. Com certeza você está obtendo o que sempre obteve, fazendo o que sempre fez.



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sarau dos poetas





O Sarau com Café desta quinta-feira, dia 28 de outubro, será alusivo ao Dia do Poeta. O evento, que acontece há sete anos sempre na última quinta-feira de cada mês junto à Cafeteria Sabor Café e Livraria Nova Letra, em Taquara, terá a participação da Academia Lítero-Cultural Taquarense, presidida por Álvaro Bourscheidt, responsável por algumas das atrações deste encontro.

Organizado pela jornalista Roseli Santos, pela psicóloga Anna Amélia Fleck e pela estudante Ilana Lehn, com participação musical de Chico Paz e Adolfo Silva, o sarau deste mês dará destaque apenas a poemas como estilo literário, enfatizando a data alusiva aos poetas, que transcorreu em outubro.

“A cada encontro procuramos diversificar as atrações do sarau, contemplando vários segmentos artísticos e culturais. As parcerias firmadas ao longo destes sete anos de sarau nos permitem abrir um espaço cada vez maior para a interatividade com a comunidade local e de outras cidades da região”, afirma Roseli Santos. A participação da Academia Lítero-Cultural no evento do mês de outubro foi reforçada no ano passado, quando os organizadores dedicaram este mês para um sarau exclusivamente voltado para a poesia, em alusão ao Dia do Poeta.

O apoio cultural é de Cafeteria Sabor Café, Casa das Lãs, Cirurgiã Dentista Stefani Lanius Adam, Clínica de Ortopedia João Guilherme Hackmann, Faccat, Invento Propaganda, Estúdio Pro Produções, Livraria Nova Letra, TCA Informática e Prefeitura de Taquara.

A entrada é gratuita.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quem vai?

Por Roseli Santos

Falta um mês para o tão falado, comentado, esperado, anunciado show do Paul McCartney e eu não agüento mais ouvir falar nisso. É sério. E olha que eu sou fã dos Beatles. Compro discos, DVDs e adoro tudo relacionado ao Garotos de Liverpool. Mesmo assim, percebo um certo exagero nessa euforia descontrolada, quase alucinada de alguns para ver o show do ex-Beatle. Além do marketing violento que impera por trás de tudo isso, me parece que há pessoas que irão ver Paul McCartney apenas porque é um momento fashion e uma oportunidade de poder dizer a todos que estiveram lá, mesmo que nem saibam sequer a letra de qualquer canção dele ou dos Beatles.

Não me refiro aos fãs de carteirinha, àqueles que pagarão um salário mínimo sem piscar para ver o ídolo de perto (neste caso nem tão perto assim), custe o que custar. O exagero está no delírio que se cria na mente bombardeada pela mídia de uma maneira descomunal. Este ano, especificamente, vários shows maravilhosos vieram ao Brasil. Claro que impera uma vontade de ir a todos os espetáculos e aí se concentra o ponto nevrálgico da angústia e do desespero que se instala na maioria, quando o desejo é aguçado ao extremo. O show de Paul McCartney caracteriza isso muito bem. Tem que ir a qualquer custo porque senão vai dizer o quê para os outros? Perdeu? Não acredito!!!!

A reflexão se aplica a outras situações do cotidiano, onde somos cobrados a todo instante, chamados a ter, a consumir, a emagrecer, a ser bem sucedidos, a estar em todos os shows, a assistir a todos os filmes, a ver todas as peças de teatro, a ler todos os livros e ainda reservar um tempo para fotografar, contar e postar tudo isso nos blogs e sites de relacionamento para que o mundo saiba que você é multimídia, está online em real-time e também em todos os lugares ao vivo, se possível.

Por isso, a notícia desta semana de que a depressão é a doença que mais atinge jovens de 18 a 25 anos nos Estados Unidos (e aqui no Brasil caminhamos para índices alarmantes também), sendo o suicídio a segunda causa de morte entre universitários desta faixa etária, não surpreende. A ansiedade de ser e ter tudo gera seres humanos cada vez mais angustiados e desesperados em obter coisas que nem sabem se desejam realmente. A angústia se transforma nessa depressão coletiva, anestesiada por medicamentos e crack, álcool e ecstasy , ou o que pintar para tornar a vida mais colorida a qualquer custo.

É claro que a música, a arte e a literatura suavizam dores e frustrações. E se você, por algum motivo, perder o show do Paul McCartney ou de qualquer outro mega, hiper astro que surja por aí, saiba que muitas novidades ainda virão e os desejos continuarão ali latentes, prontos para serem realizados a qualquer momento. Mais tarde, lá na frente, é possível que fique uma lamentação por ter deixado de fazer isso ou aquilo, embora, com certeza, haverá muitos outros motivos para recordar de coisas inesquecíveis, como o simples fato de reter (ou não) na memória, a passagem de um ex-Beatle por aqui.

Eu, particularmente, morrerei com a eterna frustração de nunca ter visto um show dos Beatles no auge da carreira deles. Não irei ao show do Paul, também, mas quem sabe no do U2 eu me anime? É a vida.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Monica Tomasi no sarau


O próximo Sarau com Café, dia 30 de setembro, terá como convidada especial a cantora e compositora Monica Tomasi para lançamento do seu quarto CD denominado “Quando os Versos me Visitam”. O trabalho autoral tem o estilo peculiar da cantora, com canções produzidas por ela e João Erbetta. O CD também tem participações especiais de Celso Fonseca, Marcelo Jeneci, Alexandre Fontanetti e do arranjador Vagner Cunha.

Com certeza, este será mais um momento imperdível para quem aprecia boa música bons textos e bate-papo descontraído com gente que só tem a nos acrescentar, em todos os sentidos.


Com composições que osc
ilam do pop ao samba, Mônica Tomasi traduz com musicalidade, leveza e apuro técnico uma trajetória de artista contemporânea, assumidamente romântica. As 13 canções do CD foram gravadas entre Rio de Janeiro e São Paulo. Musicalmente, cada momento desse trabalho permite, segundo a autora, que os instrumentos dialoguem, brinquem, façam contrapontos e passeiem por sonoridades contemporâneas. O produtor João Erbetta ressalta ainda a presença do ostinato em vários momentos do CD, quando motivos e frases melódicas são repetidas como simetrias de arranjos durante alguma sessão musical.

Então, fica aqui o convite para compartilharmos de mais um sarau que segue, ao longo destes sete anos, com atividades culturais em toda a região, trazendo talentos na arte, na literatura e na música.


O Sarau com Café tem organização da jornalista Roseli Santos, da psicóloga
Anna Amélia Fleck e da estudante Ilana Lehn, com participação musical de Chico Paz e Adolfo Silva. O apoio cultural é de Cafeteria Sabor Café, Casa das Lãs, Cirurgiã Dentista Stefani Lanius Adam, Clínica de Ortopedia João Guilherme Hackmann, Faccat, Invento Propaganda, Estúdio Pro Produções, Livraria Nova Letra, TCA Informática e Prefeitura de Taquara. A entrada é gratuita.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Boa noite, Taquara!

Por Roseli Santos

Ao que parece, há interessados em transformar Taquara em uma “cidade-dormitório”, para não dizer “fantasma”. Talvez convenha aos que já deveriam ter se mudado para um sítio isolado ou pensam que o centro da cidade compara-se à antiga “Colônia do Mundo Novo”, quando pela Júlio de Castilhos só passavam carroças e pedestres.

Minha constatação se baseia em protestos e abaixo-assinados que surgem de tempos em tempos sempre que alguém tenta abrir um estabelecimento noturno no centro da cidade ou imediações; investe em algum evento em um clube social; ou tente promover o que quer que seja. Basta anunciar que haverá uma festa ou que abriu um bar que já se manifestam os de sempre, contrários, seja lá com o que for que possa perturbar seu sono eterno na “cidade-dormitório”.

Dia desses, ouvi de algumas pessoas reclamações contra um estabelecimento recém instalado na cidade, protestando contra o cheiro de gordura, contra os carros que estacionavam, contra as conversas na rua, etc, etc. O local permanece aberto sob algumas condições impostas para seu funcionamento. Até aí, tudo bem. Agora... mal abriu outro bar na rua principal e lá vem eles reclamando novamente nem se sabe do quê, porque nem deu tempo ainda de alguém fazer “barulho” por lá.

Há algo de errado no reino encantado de Taquara. Ao mesmo tempo em que a maioria alega não ter o que fazer por aqui, e muitos vivem gastando e se divertindo em outras cidades da região, há os que gritam ao primeiro sinal de fumaça feito por gente que está a fim de empreender no município. Haja paciência!

Sinceramente, não há lógica e nem bom senso. Se isso aqui é uma cidade, forma-se uma comunidade e, consequentemente, uma comunidade é feita por pessoas de todas as idades que querem se divertir, ter um bom restaurante para jantar e até encontrar um bar aberto tarde da noite para ouvir boa música com os amigos. Nada de anormal nisso, por favor!

Mas me parece que Taquara não só dorme cedo, como dorme no ponto. Se não é permitido abrir um bar ou qualquer local para entretenimento e lazer, melhor fechar a cidade ou impor uma lei determinando: “Cidade-dormitório. Proibido abrir qualquer estabelecimento onde haja aglomeração de pessoas, música, estacionamento de carros, vozes, respiração alterada, namoro, fumaça, cheiro de comida, etc, etc”. Em resumo, é proibido viver, entenderam?

Exceções à parte (entram aqui os casos de abuso, obviamente, que devem ser punidos dentro da lei), o resto é papo furado de quem não sabe viver em comunidade e não sabe aceitar as diferenças, a ousadia, a alegria e o sucesso alheios. A esses, meus votos de boa viagem, antes que sejamos forçados a viver e empreender em outro lugar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nem isso, nem aquilo


Por Roseli Santos

Eu desconfio de gente que está sempre em cima do muro. Gente dissimulada, dessa espécie que é melhor manter distância. Gente morna, nem fria nem quente, nem alegre nem triste, nem direita, nem esquerda, nem isso nem aquilo. Gente que opta pelo caminho do meio, que até pode ser o da virtude, segundo alguns filósofos da antiguidade em reflexões feitas no trecho de uma crônica de Mario Sergio Cortella, que li recentemente. No texto, o filósofo nos abre os olhos para a obviedade e a simplicidade da vida, ainda que muitas vezes precisamos trilhar caminhos mais tortuosos para enxergar e compreender o mundo e a nós mesmos.


E foi justamente o termo “morno” que me despertou o questionamento sobre o que significa ser e estar nesse mundo. Para existir é preciso sair de cima do muro, aquecer a vida, rir ou chorar, tomar posição, seguir um caminho, ter sonhos e objetivos, sejam eles quais forem. Claro que é mais cômodo optar pelo caminho do meio que, nem sempre é virtuoso, no meu entendimento. O meio pode nos levar a lugar nenhum, a nos deixar paralisados por medo, por pânico de justificar a nossa existência por aqui.


A vida de cada um pode não ser exatamente o que se imaginou, o que se quer realmente, o que deveria ser, mas deve corresponder à exatamente aquilo que impomos como verdade para nós mesmos. Nossas atitudes dirão se somos coerentes com aquilo que acreditamos, independentemente dos outros, do que pensam e do que desejam por e para nós. Alguns optarão por ficar eternamente em cima do muro, mornos, sem sal nem açúcar. Zona de conforto é uma saída para quem prefere fincar os pés no chão e não ir a lugar algum, ao menos pelos próximos 30 anos.


Não me refiro a bom senso, prudência, ponderação e outros atributos necessários para tomarmos algumas decisões ao longo da vida. Dissimulação é outra coisa, ou coisa nenhuma. Em tempos de individualismo crônico, estranha que tão poucos têm atitude, personalidade e coragem para ser e dizer. Me parece mais fácil a esses adotar o caminho do meio por uma questão de conveniência, de mediocridade, mesmo, como o próprio nome diz. Meio não é nem início nem fim. É meio, é a parte de cima do muro.


E se a cada um cabe a sua parcela de participação na construção deste mundo em que vivemos, opto por ficar ao lado dos que são quentes ou frios, salgados ou doces, alegres ou tristes, amados ou rejeitados, isso ou aquilo. Nada de meio termo, meia vida. Melhor derrubar o muro e ser o que se é.





quinta-feira, 22 de julho de 2010

Rent a friend


Por Roseli Santos



Ao que parece, as mídias sociais e as redes de relacionamento pela Internet não estão conseguindo suprir a eterna carência por companhia que existe no ser humano. Ainda que milhões de pessoas passem a maior parte do dia online e que, aparentemente, estejam “bem acompanhadas” de amigos, namorados e maridos virtuais, há sempre uma lacuna, um vazio a ser preenchido em tempo real.


Uma notícia me chamou a atenção esta semana, anunciando um site para aluguel de amigos. Isso mesmo. Basta acessar e escolher o perfil da companhia que você precisa. Pode ser um amigo para ver um filme e ter com quem comentar, alguém para ir à uma festa ou a um jantar, enfim. Amigos de todos os perfis, disponíveis a hora que você quiser. E não se trata de serviço de “garotos e garotas de programa”. São pessoas que querem amigos para se relacionar ou apenas para acompanhá-las em alguma ocasião especial.


“Rent a friend” e espante a solidão. Deprimente isso, ao menos para quem, como eu, está acostumada a compartilhar amizades verdadeiras cultivadas ao longo de muitos anos. E isso leva tempo, exige carinho, dedicação e atenção. Poucos te acompanharão até o fim da vida. Amigos fieis se contam nos dedos e são um presente. Há conhecidos que surgem e desaparecem, assim como vieram, sem construirem conosco uma trajetória de vida. Esses são passageiros, mas os amigos de verdade estarão conosco sempre, em qualquer situação.


Alugar um amigo significa admitir que não os temos por perto, que não construímos relacionamentos sólidos. É admitir a solidão, ainda que conectados por 24 horas, adicionando “um milhão” de amigos virtuais em todas as mídias sociais do mundo. Alugar um amigo é constatar que estamos em completa solidão e que nem a nossa própria companhia nos sustenta.


Ao mesmo tempo, colocar-se como produto de aluguel é vagar por universos totalmente desconhecidos, sem vínculos, sem compromisso. Ainda que um dia isso possa resultar em amizades verdadeiras (quem sabe?) levará tempo, muito tempo para se consolidar, realmente.


Não se aluga ou se compra o que se constrói apenas com amor, com afinidade, com proximidade física e dedicação. Os amigos a gente reconhece de longe como parte da nossa história. Vida longa aos meus melhores e grandes amigos, sempre presentes, mesmo que a distancia. Sem esquecer, é claro, de manter a porta aberta para novas amizades que podem surgir a qualquer momento, oportunizando a todos nós compartilhar um dos únicos sentimentos que não poderemos terceirizar pelo resto de nossos dias.





quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nelson Coelho de Castro



Sete anos, dizem, é uma data cabalística. Longe das superstições que podem cercar essa crença, vejo com entusiasmo e alegria a trajetória do Sarau com Café ao longo desses sete anos de atividades em Taquara e na região. Uma caminhada iluminada pela companhia da Ilana Lehn, da Anna Amélia Fleck e do Chico Paz, que nos últimos anos têm sido parceiros que só enriquecem os nossos encontros.

Há também o Adolfo, o Thiago, a Duda, o Álvaro, o Dani, o Ramiro, o grupo Cheiro de Chuva, os apoiadores culturais e muitos outros que se engajam nessa proposta, voluntariamente, levando arte, música e literatura para a comunidade. O nosso espaço é aberto gratuitamente mas, infelizmente, nem todos sabem desfrutar disso. Digo infelizmente porque deixam de crescer, de interagir e de se aperfeiçoar como cidadãos ao não prestigiar o que há de melhor, em vários aspectos. E não vai aí nenhum deslumbramento, não. Os saraus são hoje um ponto de encontro reconhecidamente cultural e com credibilidade em todos os municípios onde ocorrem, tendo a presença constante de grandes talentos em vários segmentos artísticos.


Por isso, o Sarau com Café acontece e se expande de maneira surpreendente para onde sequer imaginávamos, seja em escolas, feiras do livros e bibliotecas, como um canal de interação constante, semeando cultura e colhendo momentos lindos de gratificação extrema. Os sete anos desse evento talvez marquem para nós o fechamento de um ciclo e a abertura de outro, mais intenso, mais maduro, em crescimento constante, independentemente e além de nós, porque não nos apropriamos dele.

O aniversário do Sarau com Café do dia 29 de julho terá a presença especial do músico Nelson Coelho de Castro para reforçar essa trajetória e marcar a data quase emblemática. Assim como outros convidados, o Nelson nos dá a certeza de que é sempre possível fazer mais quando há boa vontade, empenho, alegria, amor e um objetivo a ser alcançado.

E quando alcançamos esse objetivos nos vemos querendo mais e nos flagramos começando tudo de novo, com novos projetos, novas idéias, novos parceiros, novas experiências e um mundo novo a ser descoberto todos os dias. Basta querer, fazer e acontecer. Simples, assim!




sexta-feira, 4 de junho de 2010

Fazendo e acontecendo







Você procurando respostas olhando pro espaço, e eu tão ocupado vivendo...Eu não me pergunto...Eu faço!". (Raul Seixas)

A frase de Raul Seixas resume, talvez, a trajetória dos que ousam fazer. Em qualquer atividade, há os que botam a mão na massa e há os que preferem ver a história ser contada pelos outros. Assistir também é interessante, quando transformamos as ações alheias em aprendizado e crescimento constantes.

Mas é esse fazer transformado em experiência e em conhecimento que tem nos motivado a promover o Sarau com Café, há sete anos. Com o apoio de parceiros, tem sido gratificante compartilhar com a comunidade momentos muito legais, alguns memoráveis, como o do dia 27 de maio com o músico Gelson Oliveira. São fragmentos de horas de pura troca, de enriquecimento mútuo, de alegria intensa, por sabermos o que isso significa em termos culturais para qualquer cidade, especialmente para Taquara.

No rosto dos que nos acompanham, seja na Cafeteria Sabor Café ou em escolas, feiras do livro e outros estabelecimentos para onde levamos o sarau, é possível ver além do entretenimento, do lazer e do prazer de estar ali. Há cumplicidade daqueles que acabaram se transformando conosco, ao longo desses sete anos. Há uma evolução pessoal e coletiva, ainda que muitos se neguem a reconhecer e a compartilhar desses momentos históricos.

Reconhecimento, aliás, que já ganha a estrada de uns anos para cá, quando temos a oportunidade de levar literatura e música a diversos municípios, a pessoas de todas as classes sociais, indiscriminadamente. E isso não tem preço, é de um valor incalculável. Idealistas para uns, resistentes para outros, seguimos com prazer de promover a leitura, a música e a arte em qualquer lugar, e isso é o que importa. Nos propomos a transmutar a realidade (nem sempre perfeita), em algo melhor, no momento em que também nos tornamos melhores como cidadãos.

Portanto, só há uma maneira de acontecer, que é fazendo. E fazendo, acontecemos aqui, ali, em qualquer lugar, vivendo e compartilhando intensamente aquilo que acreditamos.

E agendem-se: Sarau com Café especial dia 11 de junho na Chopp Haus; Sarau com Café Dia dos Namorados dia 24 de junho, na Cafeteria Sabor Café; sarau especialíssimo de 7 anos de atividades, dia 29 de julho, com Nelson Coelho de Castro. E para encerrar o ano, outro sarau importante, a convite da Câmara do Livro de Porto Alegre, para lançamento do livro do escritor Dilan Camargo, dia 14 de novembro, na Feira do Livro de POA.

Por enquanto é isso. Mas logo tem mais, com certeza!



domingo, 30 de maio de 2010

Observatório


Por Roseli Santos

Uma vida não observada existe? Claro que não! Uma vida precisa ser twittada dia e noite para existir, não perceberam ainda? Hoje, não basta apenas ter nascido para justificar a sua presença neste planeta. Se você quer ser, realmente, precisa estar virtualmente em todas as mídias sociais. Caso contrário, você deixa de existir, entendeu?

Acontece que, não desprezando essas ferramentas que são importantes para fortalecer relacionamentos pessoais e profissionais (e eu as utilizo também), vem ocorrendo algo estranho, especificamente neste tal de Twitter, uma rede social onde se deve deixar seu recado em, no máximo, 140 caracteres. Resumindo, o que deveria ser algo sucinto e legal para tomarmos conhecimento apenas do que interessa (e há quem faça isso brilhantemente), se tornou uma coisa extremamente chata e enfadonha, na maioria dos casos.

Basta abrir o site e se deparar com um “Bom-dia, acordei!” ou “Vou ao supermercado” ou “Fulano, me liga???” ou ainda uma séria de besteiras retwittadas de quem não tem realmente nada a dizer ali. Sinceramente, a quem interessa saber se você está com dor de barriga ou vai ao supermercado? Se vai dormir agora ou acordou recentemente?

O fato de querer ser notado e observado a qualquer preço me parece um mal contemporâneo. Não basta estar na mídia, é preciso ser comentado, chamar a atenção a qualquer custo para a sua pessoa e suas atividades. Até que me divirto lendo algumas postagens mas, sinceramente, só rindo para não chorar com a pobreza de alguns twitteiros que não devem ter nada mais interessante para fazer na vida (como viver, por exemplo), ao invés de fazer comentários tão sem conteúdo quanto suas próprias existências.

E olha que eu curto essa ferramenta e sigo muita gente legal no Twitter, além de ter seguidores que têm muito a dizer e me acrescentam informações importantes. Pena que, de um modo geral, twittar virou sinônimo de futilidade, comentários irrelevantes sobre nada, exposição extrema de atitudes e ações que não interessam a ninguém, além dos próprios seres que as relatam.


Uma vida que precisa ser observada assim precisa ser revista, com certeza. Quem vive realmente com intensidade sabe do que estou falando. Ser observado não é a mesma coisa que ser amado. Talvez aí resida a maior carência de todos esses twitteiros do mundo atual. Onde falta amor, convivência, troca, relacionamentos e amizades verdadeiras, sobra espaço e tempo para expor o vazio que há em cada um, quando não há mais nada a dizer.

Unfollow para esses aí!



terça-feira, 11 de maio de 2010

Música e sarau

O Sarau com Café completará sete anos de atividades em julho, em encontros mensais que ocorrem junto ao espaço da Cafeteria Sabor Café e Livraria Nova Letra, em Taquara. Ao longo desse período, nada teria sentido sem a música aliada à literatura. Os textos interpretados por nós se complementam com o som, os acordes, a melodia e as letras das canções. E tudo se funde numa coisa só.

Dia 27 de maio teremos a presença especial de um músico de destaque nos cenários nacional e internacional. Gelson Oliveira é o convidado deste encontro que reunirá mais do que canções. Aliás, os saraus sempre resultam em muito mais do que música e literatura. Cada momento compartilhado com a comunidade torna-se único, enriquecido com a trajetória e a experiência de vida dos convidados e da interação com o público.

Música e sarau, sons e literatura, vida e arte. Assim seguimos, tornando os dias mais leves na companhia de amigos que nos acrescentam e melhoram a nossa existência, enquanto passamos fugazmente por aqui.


Gelson Oliveira - O cantor e compositor Gelson Oliveira é o convidado especial do próximo Sarau com Café, dia 27 de maio, às 19h30min, no espaço junto à Cafeteria Sabor Café e Livraria Nova Letra, em Taquara. Nome reconhecido no cenário musical do país, Gelson Oliveira recebeu dia 28 de abril dois troféus no Prêmio Açorianos de Música, na categoria MPB. Ele foi escolhido como melhor compositor pelo CD Tridimensional e melhor produtor musical pelo CD Ziringuindim, da cantora Zilah Machado. Natural de Porto Alegre, o músico é premiado e reconhecido no cenário musical do Rio Grande do Sul e em outros países, com 30 anos de carreira e vários álbuns gravados.

Organizado pela jornalista Roseli Santos, pela psicóloga Anna Amélia Fleck, pela estudante Ilana Lehn e pelo músico Chico Paz, o Sarau com Café aposta, mais uma vez, na valorização dos talentos na arte, na literatura e na música, trazendo um compositor de renome nacional e internacional para falar sobre sua carreira e sua trajetória pessoal e profissional, em um bate-papo descontraído com o público da região.


O sarau tem apoio cultural da Cafeteria Sabor Café, Casa das Lãs, Cirurgiã Dentista Stefani Lanius Adam, Clínica de Ortopedia João Guilherme Hackmann, Faccat, Invento Propaganda, Estúdio Pro Produções, Livraria Nova Letra, TCA Informática e Prefeitura de Taquara.


A entrada é gratuita.




quinta-feira, 22 de abril de 2010

Se essa rua fosse minha...

Por Roseli Santos


Se essa rua, se essa rua fosse minha;

eu mandava, eu mandava fechar”.


A paródia da clássica canção da infância de todos nós serve para reflexão em torno do anseio de posse e de propriedade que invade alguns cidadãos desde que o mundo existe. O “ter” sempre foi símbolo de status para aqueles que acreditam e apostam nisso como única maneira de se diferenciar do grupo, da comunidade e de se destacar na aldeia onde vivem.

George Orwell, no livro “A Revolução dos Bichos”, já alertava que todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros diante da hierarquia que o homem mesmo se impõem, oprimindo seus próprios semelhantes, isso sem falar nos animais irracionais, à mercê dos ditos racionais. Essa reflexão me ocorre no momento em que vários acontecimentos locais e nacionais chamam a atenção.

Na aldeia local, há quem queira uma rua só para si e para os seus, como se ainda vivêssemos no tempo das capitanias hereditárias. Se essa rua ou o bairro ou a cidade fosse exclusivamente deles, com certeza já teriam cercado tudo, impedindo o acesso dos “menos iguais” à sua ilha de Caras particular, privativa e isolada do resto do mundo. Aliás, uma boa ideia para quem não quer ou não sabe viver em comunidade.

Mas como todas as vias são públicas e todos os cidadãos pagam impostos e têm o direito de ir e vir, chega a ser hilário imaginar que alguns “mais iguais” queiram determinar o que é ou não de todos, especialmente em se tratando de bens públicos. E aí incluem-se ruas, praças, calçadas, parques, etc.

Na aldeia global, a coisa não é muito diferente. Basta uma oportunidade e lá estão os espertinhos prontos para usurparem o que é de todos, sorrateiramente, na calada da noite, se apropriando do que notoriamente é público e custeado com os impostos de cidadãos contribuintes. São, novamente, os que se acham “mais iguais”, dispostos a ficarem com a fatia maior do bolo. Danem-se os “menos iguais”.

De volta à nossa aldeia local, que completou 124 anos de emancipação dia 17 de abril, procuro resgatar o quanto ainda temos de civilidade, segurança e tranquilidade para compartilharmos deste espaço chamado Taquara com todos os que aqui residem, sejam “mais ou menos iguais”. Até poderia dizer que, se essa cidade fosse minha, eu a dividiria com aqueles que realmente a amam e investem para que ela se desenvolva e ofereça o melhor para seus habitantes.

Na contramão do pensamento individualista que se impõe de tempos em tempos, apenas acrescento que, de alguma maneira, somos todos donos da rua onde moramos, da cidade que escolhemos para viver e de todas as árvores e praças públicas do município. Não precisamos nos apoderar de nenhum bem público para nos sentirmos donos dele, uma vez que já nos pertence. Cuidar de tudo e de todos é obrigação de quem sabe que, para sobreviver, precisa comungar com ideias divergentes, sem perder a noção de coletividade, essencial para a convivência pacífica dos que aqui estão e dos que ainda virão a habitar essa aldeia, sejam “mais ou menos iguais” a você.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Se liga

Por Roseli Santos

A moda, agora, entre os adolescentes é usar pulseira. Nada de novo, até porque esse sempre foi um dos adornos preferidos das meninas, principalmente. A diferença, porém, é que usar pulseiras coloridas hoje em dia tem outro significado, acreditem. Cada cor simboliza um desejo, que pode ir de um simples abraço à relação sexual completa.

Basta o garoto chegar e arrebentar a pulseira da menina, ou vice-versa, e concretizar a vontade de beijar, de agarrar, de transar, etc. E não adianta reclamar...as regras são claras. Quem usa a pulseira, já sabe.

A iniciativa já está gerando discussões entre pedagogos, psicólogos e diretores de escolas, mas o fato é que a moda pegou e talvez não seja necessário tanto alarde assim. Afinal, os códigos mudam, mas o jogo da sedução é o mesmo, há anos.

No fundo, a adolescência é o período mais revelador dos nossos anseios. Os sentimentos afloram intensamente e os hormônios estão “bombando”, querendo tudo. Bons tempos em que há só descobertas, não sem alguma angústia e ansiedade, claro. O detalhe é que os adolescentes de hoje falam mais abertamente e precocemente sobre tudo. E, por isso mesmo, deveriam ter mais orientação e acompanhamento dos pais. Falta base para essa galera cheia de informação e vazia de conhecimento.

As pulseiras não me assustam. O que me apavora é a omissão dos pais em ignorar o que ocorre com os filhos (e isso vai desde o sexo até o uso de drogas, como o crack). É mais fácil repassar a responsabilidade para a escola e culpar a internet por tudo o que rola por aí do que educar, realmente. Isso exige tempo, dedicação e muito desgaste. E não me parece que, em alguns casos, o desejo do colocar mais gente no mundo esteja diretamente relacionado à verdadeira missão de ser pai ou mãe.

Os filhos já nascem sendo cuidados por terceiros e os pais atuam como coadjuvantes, responsabilizando mais tarde a sociedade, a escola, os amigos, etc, etc, por tudo o que possa ocorrer a seus rebentos. Sem falso moralismo, educar é outra coisa. E ter filhos apenas para cumprir o dito “papel social” não me parece uma boa ideia, nem para os pais e nem para as crianças que habitarão este planeta.

Portanto, aos que aí já estão, resta se comunicarem do jeito que sabem. Com ou sem pulseiras, são fruto da educação que recebem (ou não) em casa. Como o tempo anda escasso, dedicado exclusivamente ou à subsistência ou à tarefa de ganhar mais e mais dinheiro, é mais fácil transferir responsabilidades e culpas. Muitos pais não sabem das pulseirinhas, nem do que acontece na escola, na rua, na balada, e nem de muita coisa que anda rolando por aí. Se liguem. Está na hora de ficar online por mais tempo, conectados em seus filhos e no que pode acontecer além da novela das oito e dos reality shows.


quinta-feira, 18 de março de 2010

Pão e Circo


Por Roseli Santos

Já dizia a letra da música dos Titãs...”a gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte”, enfatizando a necessidade que todos nós temos de levar uma vida digna e plena, em vários aspectos. Não basta apenas o pão para garantir a sobrevivência. Uma vida sem educação, sem saúde, sem arte, sem lazer e sem alegria não se completa.


Há que se batalhar pelo pão nosso de cada, obrigatoriamente, mas há que se lutar, acima de tudo, por uma existência que valha a pena. Nem todos podem escolher o destino que lhes caberá neste latifúndio, mas os que podem devem ser agentes transformadores, homens de ação, elos de ligação que garantam não só pão, mas circo aos que o cercam.


Não acredito em desenvolvimento humano baseado, exclusivamente, em dados econômicos. Dinheiro garante o conforto e muitas coisas mais, com certeza, mas educação, arte, lazer e diversão dependem, também, de outros fatores. Vontade política, cabeças abertas, gente esclarecida e bem informada, movimentos comunitários e pessoas engajadas com o bem comum podem fazer toda a diferença, muito além do que possamos imaginar.


Há quem se contente com mesa farta, gordas contas bancárias, condomínios e carros luxuosos e uma vida relativamente segura, garantida pela frágil certeza do pão que sustenta o seu corpo e dos bens que pensam possuir. Falsa sensação de proteção, ainda que necessária em seus aspectos básicos a todos os seres humanos, mas que desmorona quando o vazio interior não é preenchido.


Portanto, não esqueçamos de alimentar nossa alma com música, literatura, filmes, cores, teatro, dança e de tudo aquilo que, de alguma maneira, nos torne melhores, mais plenos. O pão nos mantém de pé, mas o coração sucumbe sem a arte.


Digo isso, apenas para lembrar que a primeira edição do Sarau com Café deste ano começa no clima de descontração e alegria do Circo. Esse será o tema do evento que acontecerá dia 25 de março, às 19h30min, no espaço junto à Cafeteria Sabor Café e Livraria Nova Letra, em Taquara.


O convidado especial do encontro é Benhur Pereira, denominado “O Palhaço BEM” e também conhecido como Benhur do Fogo (malabares e acrobata). Ele falará sobre as atividades circenses e demais assuntos relacionados ao tema que encanta todas as gerações. Dia 25 também está prevista a participação do grupo teatral Cheiro de Chuva e de músicos convidados. A entrada é gratuita.


Até lá!






terça-feira, 2 de março de 2010

O médico e o monstro

Por Roseli Santos


Por mais que eu me tente me acostumar com tudo o que vejo por aí, o ser humano ainda me surpreende. Para o bem e para o mal, assim caminha a humanidade, entre esses dois polos. “O médico e o monstro” dentro de cada um, enclausurados para se manifestarem a qualquer momento, em qualquer situação.


É inegável, claro, que a espécie humana evoluiu em alguns aspectos (ciência, tecnologia, medicina, saúde, etc, etc). E regrediu violentamente em outros, como educação, boas maneiras, respeito, compreensão e companheirismo. Coisinhas básicas do dia a dia que foram se perdendo com a dita evolução.


No lugar desses valores, emergiram outros que dão até medo. Barbárie contra mulheres que optam por tentar levar uma vida digna sem a opressão e a violência de maridos que acabam com elas a tiros ou soda cáustica; população enlouquecida e egoísta que rouba seus semelhantes na tragédia em meio ao caos de um terremoto onde todos precisam de ajuda; tiroteio em praça pública para eliminar os “inimigos” de gangues rivais, todos ainda adolescentes.


Que evolução é essa? Os monstros dominando as mentes de seres considerados humanos. Espécie superior, evoluída, que tenta se sobrepor às demais, impondo-se como racional. Monstros desconhecidos e próximos, capazes de qualquer coisa, de qualquer ato em nome sabe-se lá do quê. Alguns, da honra; outros por vingança, revolta, demência, insanidade, crueldade, sadismo e até por motivos tão banais que chega a ser assustador sair de casa, só de pensar.


No outro extremo, atos de solidariedade que emocionam e viram notícia, também, como se o bem fosse algo tão insólito quanto os crimes mais hediondos. Ações despercebidas, na maioria das vezes, e que nem sempre são destaque na mídia por não envolverem grandes projetos humanitários, mas que fazem a diferença na aldeia onde moramos.


Pequenos exemplos do bem que podem surgir a qualquer momento, matando o monstro adormecido em cada ser humano. Para isso, é preciso não alimentá-lo de raiva, de injustiça, de ingratidão, de exclusão e de todas as mazelas do mundo contemporâneo. Basta criá-lo com exemplos altruístas, de amor e solidariedade, de educação e carinho, de respeito e solidariedade para que evolua plenamente.


Sem isso, nos igualamos, ou pior, nos inferiorizamos aos demais seres da natureza. Melhor pensarmos em outro tipo de evolução ou continuaremos na Idade da Pedra, na Idade Média, de onde me parece que ainda há resquícios em nossa mente assombrada com tanta modernidade e tão pouca educação.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

É Carnaval


Adicionar vídeo

Por Roseli Santos

A multidão aumenta a cada passo em direção às arquibancadas que, rapidamente, começam a lotar. Há uma alegria na fisionomia de todos os membros da comunidade ali presentes, responsáveis pelo espetáculo que encantará milhões de pessoas neste carnaval.


O ensaio técnico da Beija Flor me dá uma prévia ao vivo do que vai rolar no Sambódromo nestes próximos dias. Nem o calor de mais de 30 graus após às 21 horas me afasta do meio da torcida da escola que, agora, aguarda para ver se está tudo certo, cronometrado, cadenciado, ajustado para evitar possíveis falhas após um ano inteiro de trabalho.


Mais e mais gente chegando, o espaço fica sufocante. Água, cerveja, refrigerante, mais água, holofotes incandescentes, arquibancadas e camarotes lotados, samba enredo na ponta da língua e lá vem ela. A Beija Flor entra para o ensaio técnico com a competência que marca o desfile oficial, embora sem o colorido das fantasias e dos carros alegóricos, guardados a sete chaves nos pavilhões para explodir na avenida apenas no Carnaval.


Ainda assim, a emoção transborda ao meu lado entre gritos e lágrimas dos que amam não apenas a escola, mas tudo o que ela representa para essa comunidade. O azul e o branco tomam conta da Marquês de Sapucaí e me deixo invadir pelo clima, pelo som, pelo inevitável cheiro de suor e pela empolgação que me cerca. As alas avançam empurradas pelo som da bateria que desponta contagiante, intensa, vibrante.


É o coração da escola pulsando dentro da gente. Emoção tão forte, capaz de nos transportar para uma outra dimensão. Me vejo ali, literalmente prensada no meio de centenas de pessoas, totalmente hipnotizada pela bateria da Beija Flor. Indescritível sensação ao olhar cada integrante imerso, dando tudo de si para que, no dia do desfile, a evolução transcorra sem problema. Um universo de emoções simultâneas que afloram até para quem não curte Carnaval, como eu. Um mundo que só pode ser descoberto “in loco”, longe do conforto do sofá na sala, onde as imagens da TV nos vendem fragmentos editados do maior acontecimento da terra.


Sempre achei esse termo exagerado, mas me rendo. O Carnaval do Rio de Janeiro é um dos maiores acontecimentos do mundo, sim! Minha vontade era de ficar por ali mais uma semana e conferir o desfile oficial, o que infelizmente não foi possível desta vez. Mesmo assim, saí transformada, quebrei preconceitos e paradigmas e trouxe um excesso na bagagem de sorrisos contagiantes, beleza e disciplina, organização e trabalho, além do som da bateria que até agora insiste em retumbar no meu peito.


Bom Carnaval a todos!









quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Para ser sincero

Por Roseli Santos

Sinceridade incomoda muita gente. Ser o que se é tem um preço e, infelizmente, nem sempre podemos deixar transparecer a todos quem realmente somos, na essência. Acho que o preço do fingimento e da hipocrisia é bem maior. Usar máscaras e “fazer de conta” dá náusea, ainda que, em algumas situações, isso seja inevitável. Triste constatação para quem, como eu, não consegue disfarçar quando gosta ou não gosta de alguma coisa ou de alguém. O sentimento de amor ou ódio fica ali, estampado no rosto, nos gestos, no corpo, em tudo.


Viver em sociedade requer jogo de cintura e muita paciência para seguir sendo o que se é, sem deixar de ser, se é que me faço entender. O pleno exercício da liberdade de expressão deveria ser praticado constantemente para aprendermos, também, a ouvir o que nos desagrada, mesmo discordando totalmente do que está sendo exposto. O outro nunca será o espelho de nós mesmos, portanto, acostume-se a conviver com as pessoas e suas diferenças. Enquanto vivermos neste planeta amontoado de gente, será assim. E sempre poderemos aprender um pouco mais sobre nós mesmos observando o que está acontecendo logo ali, com aquele grupo de pessoas que nunca vimos na vida.


Talvez as coisas pudessem ser mais amenas se cada um soubesse respeitar o seu vizinho, o seu colega de trabalho, o seu subordinado, os animais, o meio ambiente e tudo o mais que não esteja vinculado à sua própria vida, normalmente desprezível e insignificante para a maioria da humanidade. Sim, porque o que eu penso, acredito ou pratico como verdade não faz qualquer sentido para muita gente. Muito menos o que eu escrevo ou digo ou faço. E ainda tem gente que se acha Deus ou parente próximo dele. Sinceramente...!!!


Por isso, que tal começar 2010 exercitando a sinceridade consigo mesmo, com seus sentimentos, fiel àquilo que realmente acredita? Não há garantias de que isso funcione com todas as pessoas que o rodeiam, mas há grandes possibilidades de você conquistar respeito por ser quem é, disso eu tenho certeza. Obviamente, os incomodados torcerão o nariz para suas respostas objetivas, falarão mal do seu jeito tão ”sincero” de dizer as coisas, se intrigarão com a cara que você faz quando gosta ou não gosta desses seres que o cercam. Não confunda tudo isso com arrogância e falta de educação, o que às vezes é bem comum em gente que tenta aparentar o que não é com hipocrisia e cinismo, fingindo-se de “ser superior”.


Sinceridade em atos e palavras significa não esquecer quem você é. Mesmo que as pessoas te obriguem a isso temporariamente, não “se abandone” nem “se perca” de você mesmo. Pague o preço por ser quem é, mas perder a identidade em nome do puxa-saquismo, da bajulação, em troca de favores ou interesses escusos tem um preço alto demais. A liberdade é uma conquista de quem se atreve a se olhar de frente e a gostar do que vê, sem medo de cruzar com as diferenças.