terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fechado para balanço

Por Roseli Santos

Balanço de final de ano não é comigo. Nem musiquinhas de Natal. Dispenso a neurose que toma conta de quase todos e, só assim, consigo sobreviver ao caos do mês de dezembro. Já disse certa vez que me reservo o direito de rejeitar convites nesta época do ano, com raras exceções, claro. Mas se quiserem, me chamem para qualquer festa em qualquer outro mês que eu topo, menos em dezembro, por favor.


Como se não bastasse tudo isso, a gente ainda tem que aguentar uma infinidade de apelos visuais, virtuais, ao vivo, na TV, nos jornais, na rua (já ouviram esses carros e motos com som de ensurdecer?). O apelo consumista está por toda a parte, além das obrigações impostas sei lá por quem de que final de ano é época de reavaliar a vida, de fazer novos planos, de dar presentes, de sorrir e de ser obrigatoriamente feliz.


Nego-me! Quem disse que há data marcada para repensarmos nosso planos, darmos um novo rumo à vida e dia e hora agendados para sermos felizes? Só porque é Natal? Sinceramente, quem inventou tudo isso deve acreditar que as coisas mudam por decreto ou por milagre. Basta pensar positivo, determinar o dia e...bumm, tudo será diferente como num passe de mágica.


Fixar uma data para festejar as nossas alegrias ou amargarmos nossas tristezas é deprimente demais. Decretar momentos para sermos solidários e cordiais com nossos semelhantes, também. Alguém aí lembra das crianças pobres e carentes nos meses de abril, maio ou agosto? Aposto que a maioria não. Voluntariado que se preze age em dezembro; caridade e compaixão, só em dezembro; compras, compras e muitos sorrisos para todos, só em dezembro.


Nada contra as festas de final de ano, mas prefiro optar por colher o melhor de tudo ao longo de cada dia, paulatinamente. Refletir, planejar, executar e viver plenamente qualquer instante, já que nunca sabemos quando a felicidade ou a tristeza baterá à porta. É como aquela velha história do cidadão que diz: - “Quando eu me aposentar vou aproveitar”. E se morrermos antes, o que fazer com o prazer guardado para ser desfrutado em um dia que nunca chegará?


Quando eu me aposentar é o mesmo que dizer: - “No ano que vem eu vou aproveitar mais a vida”. Tomara que aproveite, claro, mas por quê no ano que vem? Por quê não agora? Hoje? Ser feliz é consequência do caminhar, do ato de seguir “apesar de”, diria Clarice Lispector.


E apesar de ser dezembro, Natal, final de ano e tudo o mais, eu desejo, sinceramente, que todos encontrem dias melhores no ano que se inicia. Mas quero, principalmente, brindar neste momento todos os dias vividos em 2009. Intensos, alegres, tristes, chuvosos, deprimentes, ensolarados, surpreendentes, coloridos, apaixonantes... não importa. Valeu compartilhar todos (ou alguns) deles com vocês. E não se desesperem. Dezembro já vai terminar (ufa) e há um ano inteiro novinho chegando por aí. Ainda bem!