domingo, 24 de maio de 2009

Crescei e multiplicai-vos????

Por Roseli Santos

A maternidade nunca me atraiu, sinceramente. Nada contra crianças, por favor! Acontece que aquela história de "crescei e multiplicai-vos" não me comove. Prefiro deixar a preservação da espécie para aqueles que, realmente, tenham aptidões para fraldas, choro noturno, mamadeiras, etc. Aliás, antes que me crucifiquem, enfatizo que adoro os pequeninos seres que habitam este planeta e amo meus sobrinhos como filhos, mas nunca me habilitei a colocar mais criaturas neste mundo.

E não adianta argumentar com aquela velha conversa de que uma mulher para ser completa precisa ser mãe. Na verdade, me sinto tão completa e incompleta, feliz e infeliz, angustiada e serena, ansiosa e em paz como qualquer outra mulher da face da terra. Ou como qualquer ser humano diante de suas escolhas, onde tudo, inevitavelmente, tem os dois lados e um preço. Escolha um caminho e já estarás abrindo mão de outro. Tem jeito?

Não, não tem jeito. A única solução é estar em paz com as próprias escolhas. Isso é, inegavelmente, o melhor que podemos fazer por nós mesmos, sem hipocrisia, sem culpa, sem a angústia das convenções sociais que nos atropelam todos os dias. Ser o que se é já é muito, mas poucos conseguem a liberdade da autenticidade. Poucos permitem se assumir como realmente são...e aí é que o choque se torna inevitável.

Obviamente, não pensem que é fácil circular por este mundo sem dar, em alguns momentos, uma certa "explicação" sobre sua existência para os cidadãos que convivem (ou não) com você. A família, a sociedade, os colegas de trabalho, a humanidade toda te cobra, sim senhor! Qualquer decisão que fuja do dito "normal", dos padrões pré-determinados, pode gerar abalos catastróficos na mente das pessoas que só insistem em enxergar aquilo que elas julgam importantes para si próprias, desde, claro, que não as façam sair de sua zona de conforto.

Esqueça os conselhos, as fofocas, a bisbilhotagem que servem apenas para esta gente ter o que comentar no intervalo da novela das oito, programinha básico que espelha e repete os seus chavões e clichês religiosamente, todos os dias. Ufa! Está tudo bem. Somos normais, iguais aos personagens da novela. E tão falsos quanto.

Portanto, sigo convicta de que minhas (nossas) escolhas são soberanas. Certa ou errada, diante das múltiplas opções que possa tomar, dependendo da circunstância, sigo leve e completa. Aliás, cada vez mais completa, a ponto de conseguir dizer aos que se "perturbam" profundamente com os rumos alheios e com tudo o que lhes é desconhecido, que o melhor da vida é não ter certeza de nada, a não ser de nossas próprias convicções, daquilo que nos faz bem e das pessoas que queremos realmente por perto.

SARAU DIA 28 - Digo tudo isso apenas para alertar que o sarau do dia 28 de maio terá a presença de ilustres representantes do universo feminino. Trata-se de um encontro inusitado entre mulheres de opinião e personalidade marcante, que promete render um bate-papo animado no espaço junto à Cafeteria Sabor Café e Livraria Nova Letra (rua Emílio Lúcio Esteves, 1180), em Taquara. O evento terá a participação especial de Érica Ostrowski (consultora de imagem pessoal), Fabiana Torres (frentista), Inge Dienstmann (jornalista) e Maria Salete Sampaio Hahn (da Biblioteca Comunitária do Bairro Empresa).

Neste mesmo dia, haverá a participação especial da pianista Luiza Strelow Rocha e dos músicos Thiago e Duda. Outra atração é a exposição fotográfica de Ricardo Santos, amigo, profissional e colega de Jornal NH de muitos anos, com talento indiscutível, que estará mostrando seu trabalho no local.

Por ser considerado, praticamente, um mês dedicado às mulheres (mães, noivas, enfim) é que decidimos reunir este grupo eclético de convidadas para discutirmos assuntos relacionados ao sexo feminino, sua condição e atuação na sociedade atual.

Então, sem mais argumentos, estaremos por lá para um bate-papo bem descontraído sobre nós e tudo o mais. Queridos amigos, por favor, sintam-se convidados para mais um encontro. No sexto ano de atividades, o Sarau com Café tem orgulho de recebê-los num clima de muita música e literatura, além de tudo o mais que possa rolar.

Só não me peçam para falar de crianças, fraldas, choro, xixi, etc....hehehe. Prefiro, agora, a companhia abstrata de Fernando Pessoa, Leminski, Carpinejar, Quintana, Adélia Prado, Veríssimo, Galeano, Marta Medeiros... Ou assistir a um bom filme, a um show de qualidade, degustar um vinho, alimentar sonhos de um mundo melhor, dar e receber beijos apaixonados e...tudo bem, me rendo, até ter um gato como companhia para dar água e carinho, no máximo!!!


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Obsoletos

Por Roseli Santos

Descobri dia desses que não se encontra mais fita cassete para vender. Como assim? Perguntei com uma cara que deve ter espantado a minha colega de trabalho, que tem apenas 25 anos, e nem se importou com o fato, considerado por ela perfeitamente normal. E é normal, claro, que não existam mais fitas cassetes (ou que sejam raros os locais que as vendam, ainda). Mas como eu não me dei conta disso?

Pasma, fiquei ali pensando que até ontem (sim, nem faz tanto tempo) gravávamos de uma fita para a outra cópias das músicas favoritas. E eu ainda tenho um aparelho de som que possui dois gravadores, um reproduz e o outro copia. Tenho até um toca-discos, para quem lem
bra do que se trata. Aquele com agulha, já transformado em relíquia.

E agora descu
bro que não há mais fita cassete! Tudo bem, também estão em extinção os filmes em VHS, o disquete e até o CD e o DVD parecem ameaçados. Novos tempos acelerando tudo, tão rapidamente, que mal piscamos e as coisas já ficam obsoletas.

Longe de mim contrariar o avanço tecnológico, as descobertas científicas e as novidades que surgem para melhorar, sem dúvida, a vida de todos nós. Mas confesso que já desisti de acompanhar tudo em tempo real. O bombardeio de informações, produtos e celebridades que surgem a cada instante por todos os lados não me deslumbram. Me surpreendo, isto sim, com o universo de coisas que despontam em evidência a todo momento na internet, na TV, nos jornais, no rádio. De onde tiram tanta bobagem?


E um olhar mais crítico revela o absurdo e o patético em manchetes sobre assuntos que beiram o ridículo, sem contar os acontecimentos reais que já se banalizaram em atos de corrupção, violência, desrespeito, roubo, chacinas, etc. E estes também se tornarão obsoletos em breve, quando novas curiosidades e atrocidades chamarão a atenção por alguns minutos, antes de surgir algo inédito no instante seguinte, ainda no café da manhã.



Novas descobertas cairão sobre nossas cabeças repentinamente, outras desaparecerão no nada como se nunca tivessem existido. Um click e tudo já está diferente tão rapidamente que nem nos damos conta de que aquele fato ou aquele objeto evaporou, sumiu do mercado, como a tal fita cassete e o meu toca-discos, lembram dele? Claro que não. Isso já é passado. Esqueçam.



quarta-feira, 6 de maio de 2009

Discutindo a relação



Por Roseli Santos

O tema empolgou o público que participou do último Sarau com Café, dia 30 de maio, em Taquara. “A fila anda, mas não empurra que é pior – uma abordagem de marketing para relacionamentos amorosos”, título do livro do professor e escritor André Maciel, gerou comentários, provocações, debate e momentos de muita descontração.

Talvez tenha sido o sarau que teve maior interatividade do público, o que me fez pensar sobre o quanto as pessoas sentem necessidade de discutir as relações. Está certo que a maioria dos presentes era do sexo feminino, o que já pressupõe que a discussão prometia ser acirrada, para desespero do escritor.

Enganou-se quem pensou em auto-ajuda, teses machistas ou qualquer coisa do gênero. O livro aborda o marketing com seriedade, intercalando, porém, analogias com os relacionamentos amorosos em vários aspectos. E é aí que o autor nos prende até o fim, com comentários reflexivos e hilários sobre nós mesmos e nossas histórias amorosas.

De alguma maneira, todos nós já passamos pelas situações narradas no livro e há uma identificação imediata com atitudes, pensamentos e comportamento que adotamos como consumidores e como namorados, maridos, amantes, etc. Bom rir da gente mesmo, melhor ainda se descobrir discutindo a relação de uma maneira leve e engraçada.Aliás, deveríamos levar a vida assim, suavemente.

Escolher o parceiro como um “produto” pode não parecer muito romântico, mas nos faz refletir. Adotar estratégias de marketing para melhorar relacionamentos pode funcionar, por que não? Ou alguém aí, disponível no mercado, ignora os apelos que adotamos na hora da conquista, do flerte, da abordagem? Desde que a humanidade existe, isso ocorre, ainda que inconscientemente.

Claro que hoje há uma variedade de ofertas para consumo, seja em se tratando de produtos ou homens/mulheres à disposição no mercado. E é aí que a coisa se complica. Em tempos de resultados imediatos, ansiedade generalizada, apelos por todos os meios de comunicação, mensagens instantâneas, orkut e msn, como escolher o melhor? Como saber que o “produto” adquirido é o ideal para você? E se surgir outra possibilidade?

Questionamentos inevitáveis nesta época de muita informação. Quantidade em excesso, qualidade a desejar. Certo é que não se pode obter tudo na vida. Escolher pressupõe abrir mão de alguma coisa, sempre, em detrimento de outra. A frustração faz parte do processo, a mudança de planos também. Os rumos dependem de cada um, dos valores, dos anseios, da descoberta das reais necessidades.

Quando se sabe o que verdadeiramente importa, ainda que possamos nos equivocar, as escolhas fluem mais tranquilamente, apesar da pressão do mercado, do consumismo que bate à porta, das inúmeras possibilidades e do medo de errar. “Enquanto não achamos o homem/mulher certo, vamos nos divertindo com os errados”, disse alguém um dia desses. E eu completaria, ressaltando que é possível descobrir a felicidade naquilo que temos ou buscá-la naquilo que é possível.