domingo, 22 de novembro de 2009

The End

Por Roseli Santos

Essa coisa de fim do mundo já é antiga e ressurge, de tempos em tempos, com diferentes teorias e pontos de vista. O que mais me intriga é a reação das pessoas. Há os céticos e os apavorados, os crentes e os desligados, mas a grande maioria acredita realmente que o fim do mundo está próximo.

O comentário de uma amiga me chamou a atenção dia desses: “Nós somos os dinossauros da vez”. Concordo plenamente. Ou alguém aqui acha que viverá eternamente neste planeta devastado sem sofrer os efeitos cósmicos das mudanças do universo? Muito contribuímos para a destruição, claro, mas basta pesquisar um pouco além para vermos que tudo é mutável na natureza ao longo das eras geológicas.

Com certeza, o efeito estufa, a poluição constante, o desmatamento e a sujeira que o ser humano está largando por aí são fatores que resultam em consequências vivenciadas por todos nós, cada vez com mais freqüência, como enchentes, furacões, tsunamis, entre outras catástrofes diárias registradas pelo mundo afora. Acontece que há, também, coisas que fogem à nossa compreensão e ao nosso controle. O cosmos está sempre em movimento, se expandindo, se modificando. Entre milhões de galáxias, quem somos nós para achar que aqui as coisas serão permanentes?

Me surpreende o pavor de alguns seres humanos diante do óbvio. São obcecados pelo medo da morte, com o final dos tempos, enfim, mas não conseguem olhar além de seu próprio jardim. Para alguns “dinossauros”, vale o seu bem estar. Tragédias são coisas distantes, que acontecem com os outros. O medo do desconhecido resulta, simplesmente, do fato de se negarem a ver seus semelhantes como iguais, todos tripulantes de uma mesma nave, que pode desgovernar a qualquer momento.

Envoltos em crenças medíocres, esquecem que a vida é muito mais do que as aparências exibem. Mais fácil assistir as tragédias pelos telejornais, em fotos nos jornais, desde que bem longe daqui. Mas quando o problema bate à porta, como vem ocorrendo nos últimos meses aqui bem próximo, na esquina da sua casa, ressurge o medo, a incerteza, a fragilidade diante do imponderável.

Se o fim do mundo está próximo, não sei. Pode ser que tudo acabe amanhã ou em 2012, como pregam alguns, ou daqui a 300 anos, quando obviamente ele já terá acabado para todos nós de qualquer maneira. Se somos os dinossauros da vez, melhor é aproveitarmos o tempo que nos resta pensando na vida e não na morte, já que ela inevitavelmente chegará para todos. Mas a vida plena, essa sim, só saberá o que é quem se entregar sem medo às dores e as delícias de estar aqui, no presente. E, se tudo der certo, quem sabe nos encontraremos em 2010, 2011, 2012, 2013, 2014... felizes por termos sobrevivido a nós mesmos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Coisas e coisas

Por Roseli Santos


Há pessoas que idolatram suas “coisas”. Já repararam nisso? Gente que não consegue se desapegar do concreto, do material, do palpável. Daquilo que elas acreditam ser o centro do universo, incluindo seus próprios umbigos, suas próprias vidas como única “coisa” importante.

Essa gente está tão preocupada com as coisas que tem, que não tem ou que os outros têm, que acaba se fundindo em algo estranho, quase a coisa em si, de tão superficial. É até possível ouvir seus diálogos interiores, seus anseios, suas necessidades transmutadas em coisas, qualquer coisa.

Conheço algumas pessoas que são a cara de seus móveis, de suas roupas de seus sapatos. Amam suas mesas e cadeiras como a si mesmas e acabam se tornando a imagem e semelhança de seus objetos de estimação. Abstração é uma palavra e um sentimento que elas desconhecem, ignorando o quê há de realmente humano em todos nós (ou quase todos).

Às vezes fico observando algum desavisado envolto em suas coisas e vejo nele a solidão de um poste, de uma estátua no canto da sala, de um vaso abandonado no jardim. É possível ver até a cor do objeto a que se assemelha a criatura, tal o tamanho de sua coisificação. São tão engraçados falando de suas coisas como se isso fosse capaz de substituir sentimentos concretos, emoções verdadeiras, satisfação real. “A minha mesa, o meu fogão, o meu freezer”...Relatam suas aquisições materiais recentes em detalhes como conquistas e troféus a serem exibidos para os outros, de uma relevância extrema, de uma urgência exibicionista que beira o ridículo.

Tempos de consumo fácil onde qualquer um, sem qualquer consciência da fugaz importância e do lugar que as coisas realmente devem ocupar na nossa vida, acaba se tornando o próprio objeto que idolatra, a cara de sua mesa, de suas cadeiras, de seus tapetes. E alguns desabam no chão, literalmente, tombados pelo peso de tanta futilidade, frieza, tristeza e solidão, que já não é mais possível identificá-los, transformados nas coisas que os cercam, engolidos e massacrados por elas.

Deixem seus armários, seus sofás, seus espelhos, suas louças, seus cristais para lá, no lugar que lhes cabe de direito, como coisas que realmente são. Respirem alegria, expirem sorrisos, comprem ilusão, acumulem amor, financiem amizade em longas parcelas e adquiram felicidade duradoura. O resto é ilusão.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Desacelerando

Por Roseli Santos


Todo o aparato tecnológico utilizado por nós nas atividades diárias, especialmente no trabalho, deveria nos render, pelos cálculos dos especialistas, muitas horas livres para não fazermos nada ou apenas aquilo que nos seja prazeroso. Mas pergunte aí a qualquer colega seu, neste momento, se ele tem tempo sobrando para um papinho ou um happy hour. Pergunte a você mesmo se tem esse tempo para curtir o final do dia tranquilamente jogando conversa fora em um bar, por exemplo, com seu melhor amigo. A resposta será não! Não sobra tempo.

O dia poderia ter 50 horas só para darmos conta de mais trabalho, mas nunca para relaxar e gozar a vida. Não podemos parar, é necessário dar conta de tudo e mais um pouco; é preciso estar online sempre para não ser esquecido; é urgente ganhar mais dinheiro para comprar mais, ser mais, querer mais. Falta tempo e coragem para desacelerar.

O assunto foi abordado esta semana pela psicanalista Maria Rita kehl, em Porto Alegre, alertando para o fato de que a aceleração constante leva à depressão e, tenho certeza, de que a outras doenças mais graves também. Tudo o que foi inventado para facilitar a nossa vida nos prende cada vez mais a coisas que nos amarram, nos tolhem e nos viciam, se permitirmos, claro. E não é a toa que vejo jovens, muito próximos a mim, dizendo que não conseguem dormir. Só desligam quando é madrugada, horas antes de levantar e ir para a aula. Até então, ficam conectados com outros zumbis que varam as madrugadas no computador para não perder tempo e nem o que está rolando na net.

Depressivos, ansiosos, insones, amedrontados, esses serão os adultos que nos substituirão logo mais por aí. E, ao que tudo indica, terão menos tempo do que nós para fazer tudo e ainda mais; para serem melhores; para consumirem alucinadamente e estar em todos os lugares virtuais simultaneamente. Se possível, online, sempre!

Me peguei assim dia desses, angustiada por querer fazer muito mais do que faço, por querer estar em outros lugares, curtir todos os amigos, ler todos os livros, ver todos filmes que deixei prá trás, etc, etc, etc. A lista é interminável e, lamentavelmente, me dei conta de que assim será para sempre. Impossível querer e ter tudo, sempre haverá coisas a fazer. Ainda que o dia tenha 50 horas, não conseguiremos cumprir as inúmeras tarefas e desejos que nos batem à porta, não poderemos atender e contentar a todos, mas poderemos desacelerar.

Palavra mágica, o próprio nome freia os pensamentos, nos deixa mais lentos....desacelerados. E aos poucos, desacelerando, descobre-se que cada segundo é precioso, cada minuto uma possibilidade, cada hora uma eternidade, se soubermos nos ouvir e contemplar cada coisa a seu tempo. Claro que a lista continuará ali com algumas prioridades inadiáveis, trabalho por esperar e prazeres a serem desfrutados. Sempre haverá coisas inacabadas, desejos não realizados. A lista de cada um de nós ficará depois de nós, apesar de nós. Não tem jeito.

Desacelerar, palavra mágica que muda a vida, salva um cidadão da loucura e o liberta para voar no tempo e não para ver o tempo voar. Não se preocupe, a lista agregará sempre novas necessidades, o mundo continuará girando e a vida segue. Portanto, com licença, preciso parar de escrever para poder aproveitar melhor o tempo que sobra agora para me dar um livro de presente, fazer um jantar para os amigos, namorar mais, olhar aquele filme ou, quem sabe, ir prá casa e não fazer absolutamente nada nas próximas horas. E ainda por cima, sem culpa, tá?


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Salvem suas flores



Por Roseli Santos



A água da enchente destruiu tudo no casebre construído em uma vila da periferia de Porto Alegre. Tragédia anunciada e repetida agora imagens no noticiário de TV, enquanto a câmera percorre o local exibindo cenas já conhecidas dos moradores que, mais uma vez, dão seus relatos de perda, de desolação, de cansaço diante do descaso e da omissão das autoridades.


Uma senhora de olhar distante testemunha mais uma vez o medo e a impotência diante da água e do barro que invadem os cômodos da casa paupérrima todos os anos. “É sempre assim”, diz resignada.

Perdeu a mãe dia desses e agora veio a enchente. E revela a angústia que passou enquanto a água do rio subia, na tentativa de salvar, não algum móvel ou outro bem material, mas as flores vermelhas plantadas em um vaso que a mãe lhe havia presenteado dias antes de morrer.
Em meio ao caos, ela mostra orgulhosa a planta que sobreviveu à enxurrada. Diz que assim lembra da mãe, mantendo as flores por perto.


Os olhos com lágrimas exibem o vaso florido e ela sorri. Um sorriso que contempla terno e triste, ao mesmo tempo, o símbolo amoroso deixado pela mãe antes de morrer e que ganha um significado tão intenso e muito mais importante do que a perda dos poucos bens materiais destruídos pela água.

Sorri porque salvou as flores, numa demonstração de desapego total ao que a enchente destruiu, ainda que pouco tivesse adquirido para sua subsistência no casebre. Sorri exibindo a planta como um troféu diante do infortúnio e da fúria da natureza.

Ao me deter fixamente no rosto daquela mulher, marcado por rugas profundas, vi transparecer nos olhos azuis ou verdes uma beleza indescritível; transbordar um amor incondicional intenso, capaz de suportar qualquer dor, qualquer perda, ainda que a da própria mãe.

E ela sorri, transcendendo os problemas imediatos causados pela fatalidade, ignorando qualquer futilidade, rendendo-se à fragilidade humana, certa no seu simplório e ao mesmo tempo profundo e filosófico pensamento, de que apenas o amor pode sobreviver a tudo.

Antes que o tempo nos leve, também, aprendamos nós com essa senhora a salvar nossas flores. E são tantas, com certeza, que muitas vezes as esquecemos abandonadas no jardim da vida, enquanto estamos preocupados em salvar outras coisas sem qualquer valor e que poderão nos ser arrancadas a qualquer momento, assim como as flores do nosso jardim.





segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Deixem-os voar









Por Roseli Santos


As pessoas e suas histórias sempre me interessaram. Por força da profissão e por hábito de vida, aprendi a ver observando além das aparências. Algumas coisas me envolvem, outras me emocionam profundamente e de outras eu me afasto, deliberadamente. Ainda assim, no balanço que faço de mim mesma, tenho agregado muito mais do que repelido, amado muito mais do que ignorado, sentido intensamente.

Há seis anos, especificamente, o Sarau com Café me traz novas e fascinantes experiências de vida, de troca, de interação, de amor e de amizade. Cada encontro é único, sem o menor exagero. Cada sarau uma festa, cada convidado uma alegria. E cada última quinta-feira do mês, uma bela surpresa.

Na semana passada não podia ser diferente. Jovens com idade entre 12 e 20 anos fizeram do sarau um momento muito especial, mostrando seu talento na arte, na música e na literatura. Que alívio testemunhar que nem tudo está perdido enquanto tivermos por perto o sonho e a fantasia brotando em corações tão cheios de entusiasmo.

Senhores, acreditem!! Há vida além da tela de um computador, há criatividade prestes a transbordar, há música nas veias, há arte no DNA desses pequenos talentos à espera de um espaço para exibir o que têm de melhor.

Cada um com suas habilidades. Alguns em sua primeira aparição pública; outros acostumados com aplausos e luzes; e outros ainda inseguros quanto à reação do grande público que lotou o espaço do Sarau com Café para prestigiá-los. Mas nenhum deles indiferente, empenhados que estavam em mostrar a sua melhor performance.

E foi justamente o empenho, a dedicação, a euforia e, principalmente, o entusiasmo dessa galera que me emocionou mais do que qualquer outra coisa. Eles resgataram em mim, e talvez na maioria das pessoas ali presentes, o desejo, a crença e a fé de que é possível fazer o que se gosta. Nem todos terão a música ou o teatro como profissão, mas sonham com isso. Aí está a grande diferença...o sonho que esquecemos, os desejos que ignoramos, as ambições que abandonamos, o quanto abdicamos de nós mesmos ao longo dos anos, consumidos em compromissos inadiáveis, em frustrações profissionais, em horas permutadas por dinheiro, em tempo perdido atrás de estabilidade, de nada.

Senhores, acreditem! Nem tudo está perdido. Há vida logo ali na esquina, nos olhos e no sorriso daqueles jovens, desde que lhes abram uma janela, lhes apontem um caminho, uma oportunidade. Mas jamais roubem seus sonhos. Senhores, não cortem suas asas, deixem-os voar!!





segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Com que roupa?

Por Roseli Santos


Alguns políticos, na falta de algo mais interessante para fazer, ficam inventando “moda”, literalmente. Pois um vereador de Porto Alegre (e nem vou citar nome e partido por motivos óbvios) resolveu implicar com as roupas usadas por duas colegas do Legislativo. Me chamou a atenção o fato dele se sentir ofendido, ou sei lá o quê, por uma das vereadoras usar tênis e outra camiseta com jeans durante as sessões.

Indignado, sugeriu que as mulheres devem estar vestidas adequadamente em Plenário, com terninho, salto alto, camisa, enfim, passeio completo. Pode até ser que fique mais elegante, vá lá! Mas, sinceramente, faz alguma diferença? Se elas estivessem de minissaia, decotes ousados ou vestidos transparentes talvez se justificasse o mal estar sentido pelo cidadão. Ou, ao contrário, talvez ele nem reclamasse.

Mas a futilidade da observação, o protesto contra as colegas por estarem vestindo camisetas ou jeans, não me parece algo coerente, tendo em vista os freqüentes escândalos que rondam nossa classe política, ultimamente, em todas as esferas. Não seria mais sensato discutir temas de interesse público, soluções para os problemas da comunidade, se preocupar com a ética e os trabalhos legislativos, ao invés de ficar avacalhando com a roupa das mulheres, enquanto eles vestem terno e gravata?

Terninho muda alguma coisa se a pessoa não desempenhar bem o cargo para qual foi eleita? Salto alto termina com a corrupção que existe neste país? Os crimes que mais atentam contra a nossa integridade como cidadãos que pagam religiosamente seus impostos não são os assim chamados de “colarinho branco”?

Sem qualquer julgamento quanto à reputação ou ao desempenho dos vereadores, neste caso, o que questiono é se essa é, realmente, uma “questão de ordem” fundamental para o bom andamento dos trabalhos da Casa. Internamente, quem sabe, poderiam flexibilizar o tipo de vestuário que cada um queira usar, sem exageros, claro, o que seria de bom senso. Obviamente, nenhuma dessas mulheres trabalharia de top e minissaia, assim como os homens não iriam de bermuda ao Plenário.

Com que direito, porém, alguém determina o quê você vai vestir? Cada um tem seu próprio estilo, e até pode obter dicas de algum profissional da área, se achar conveniente e necessário, dependendo da ocasião. O modo de vestir está intrínseco à personalidade de cada um, ainda que fora dos “ditos” padrões da moda ou do olhar mais crítico, como o do vereador em questão.

De qualquer maneira, não me parece que camiseta, jeans e tênis tenham interferido na votação que elegeu as colegas vereadoras, hoje ocupando seus cargos e desempenhando, espera-se, dignamente suas funções legislativas. Aliás, talvez o que falte mesmo é um olhar menos superficial, como este do ilustríssimo vereador, para que a política e seus membros deixem de ser aparência e passem a servir realmente a que se propõem, que é o bem estar de todos os brasileiros.



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cartas, e-mails, scraps ou tweets?

Por Roseli Santos


Meus e-mails são verdadeiras cartas. Não adianta. Com raras exceções, escrevo tudo sem engolir, abreviar ou inventar novos vocábulos. Sou analógica ao extremo nesse aspecto, embora esteja me adaptando a dizer tudo com menos caracteres em scraps no Orkut, msn e no próprio correio eletrônico.

O meu mais novo e grande desafio, agora, é o Twitter. A febre do momento na internet é um fenômeno de mídia social, tipo chat, que ganha milhares de seguidores todos os dias. Eu, que me enchi de coragem para criar um blog apenas este ano, acabo de ficar obsoleta com o tal do Twitter e tenho que me render a mais esta novidade online para me comunicar com os meus leitores, amigos e parceiros fieis do Sarau com Café.

Até aí tudo bem. Claro que é necessário acompanhar as inovações tecnológicas na área da comunicação, estar atualizado com as novas mídias, divulgar ao máximo as nossas atividades para o maior número de pessoas, etc, etc, etc. Até para não ficarmos totalmente offline e defasados. Mas o Twitter me impõe um desafio dolorido. É preciso dizer tudo em 140 caracteres, pode? Como dizer “tudo” em 140 caracteres? Logo eu, acostumada a escrever longos e-mails, verdadeiras cartas; a narrar crônicas e a publicar contos e artigos que nunca somam menos de 2.000 caracteres, aproximadamente.

Confesso uma admiração secreta por quem consegue dizer tudo em poucas palavras, um exercício que pretendo aprimorar, quem sabe com essa nova oportunidade. Há os que conseguem dizer tudo, também, apenas com um olhar, mas aí é outro papo. Acontece que, apesar das inúmeras bobagens postadas no Twitter diariamente, tenho lido coisas interessantíssimas escritas em míseros 140 caracteres. Morro de inveja e de admiração pelo Carpinejar, escritor e poeta, que todos os dias me surpreende no Twitter com emocionantes reflexões de vida, de amor, de tudo, com aquelas poucas e precisas palavras digitadas ali.

Como jornalista, sempre preferi matérias e textos mais longos, reportagens maiores, aprofundadas, o que era, frequentemente, uma dificuldade com a falta de espaço. Quando o editor cortava alguma parte da matéria, amputava uma parte de mim junto. Trabalhar em rádio me ajudou um pouco a dizer apenas o necessário em uma notícia. Sempre com alguma dificuldade e com a sensação de que ainda precisava dar mais informação aos ouvintes.

Não discordo dessa nova maneira de dizer tudo tão rapidamente pela internet. Há o lado prático, obviamente, como o tempo que nos é poupado em ler grandes asneiras. O meu único questionamento é saber se não estamos nos tornando tão superficiais, fúteis e imediatistas, a ponto de não termos, realmente, nada a dizer. Não estaríamos alimentando, também, uma geração de “não leitores”, quase analfabetos, incapazes de compreender raciocínios mais complexos, com mais de 140 caracteres?

Na dúvida, escrevo mais esta crônica para não me perder de mim mesma e manter o blog que me salva dos lacônicos “tweets” e me permite ser prolixa, sem culpa. De qualquer maneira, tá dado o recado lá também. Acessem http://twitter.com/saraucomcafe. Novos tempos, queridos amigos. E paro por aqui, nos 2.659 caracteres (sem os espaços) antes que me crucifiquem.